Diários da Mostra #6

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Águas Verdes (Aguas Verdes, 2009 – ARG)
Quando o filme de Mariano de Rosa apontava para uma comédia sobre a paranóia de um pai de família refletida principalmente no ciúmes da filha adolescente, mas também da esposa e do filho menor, o humor leve até que andava bem. A família sai em viagem de férias à praia, num posto de gasolina a filha conhece um sujeito irritantemente simpático, na praia a esposa faz amizade com um casal de lésbicas. No meio disso o passeio de Juan (Alejandro Fiore) torna-se um inferno, só que o roteiro resolve levar a sério essas paranóias mergulhando num oceano de sequencias toscas e inaceitáveis resultando num filme além do descartável.
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A Vida Real (Au Voleur / A Real Life, 2009 – FRA)
Não entendo essa obsessão de vários filmes/roteiros/cineastas por tentar tirar de personagens moribundos ou sem caráter, algo de produtivo, de belo, inspirador. A profissão de Bruno (Guillaume Depardieu) é ser ladrão. A professora Isabelle (Florence Loiret-Caille) começa um relacionamento com ele, mergulhada nas novas sensações que Bruno lhe oferece ela aceita a situação marginal e quando o cerco aperta fogem os dois. Começa uma vida real, um casal em fuga por um rio bucólico, se amando, desligam-se da vida urbana, sobrevivem. Sarah Petit abusa do abstrato para não chegar em lugar algum.
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Singularidades de uma Rapariga Loira (Singularidades de uma Rapariga Loira, 2009 – POR)
Graça e sofisticação na adaptação de Manoel de Oliveira de uma obra de Eça de Queiróz. Tudo bem que ele adaptou para os tempos atuais e com isso a formalidade das relações, os encontros coloquiais e os pedidos de casamento não combinam com barbeador elétrico e outras facilidades tecnológicas, mas o Bom Velhinho tem 100 anos, ele pode fazer as licenças poéticas que bem entender. Tudo começa num trem, Macário (Ricardo Trêpa) não resiste à necessidade de desabafar a insatisfação do seu coração, e quem o ouvirá atentamente é a mulher (Leonor Silveira) que está sentada ao seu lado. Num longo flashback, em tom melancólico, ele narra sua saga pelo amor de Luísa (Catarina Wallenstein) pela qual ele se apaixonara ao mirá-la pela janela do escritório. Dentro de toda a rigidez promovida por Oliveira, um filme essencialmente de amor, e acima de tudo de princípios.
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Estrelando Maja (Prinsessa / Starring Maja, 2009 – SUE/IRL)
Erika (Moa Silén) vive aquela fase complicada de fazer bicos (no caso dela filmar casamentos) para sobreviver enquanto busca seu sonho de realizar documentários. Após certo grau de atrevimento conhece Maja (Zandra Andersson) uma garota de 18 anos moradora de uma pequena cidade na Suécia que sonha em ser atriz e ser aceita nos círculos sociais sem sofrer preconceito por seu peso bem acima da média. Enquanto Maja segue seu curso de teatro na escola e sonha alcançar vôos maiores, Erika transforma a vida da garota num reality show tentando negociar com alguma emissora de TV. A busca da cineasta Teresa Fabik é por um entretenimento com algum grau de conto moral, seu filme jamais perde a leveza (mesmo nos momentos mais “dramáticos”) marcando decepções, surpresas e boa dose de humor enquanto esse conto de fadas sueco diverte sem cansar.
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Querido Lemon Lima (Dear Lemon Lima, 2009 – EUA)
Faz aquela linha tipo Miranda July (inclusive a diretora Suzi Yoonessi produziu Eu, Você e Todos Nós) de tentar cenas bonitinhas de impacto, momentos encantadores, numa visão infantilizada e colorida da vida, como num conto de fadas moderno onde a melancolia vira graça e frescor. Ledo engano, ao tratar de um grupo de amigos unidos pela exclusão, tendo como líder Vanessa (Samantha Cobbs) que nutre paixão antiga pelo garoto popular que agora a renega, a diretora suaviza temas tão complexos que chega ao absurdo de suavizar a morte de uma criança (isso sem falar nas condições). Maldita mania de matar personagens em busca de uma tristeza, uma melancólica cinematográfica, besteira. Toda a construção tola e agradável de Yoonessi se perde entre os clichês e os absurdos de uma emoção forçada.

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