Diários da Mostra #7

Publicado: novembro 4, 2009 em Uncategorized

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Lymelife (Lymelife, 2008 – EUA)
Familias tortas e problemáticas parecem contaminar o cinema atual (se bem que qual família não é torta e problemática), o problema é sempre o exagero e aqui o diretor Derick Martini começa o exagero já pelo surto da tal doença de Lyme que atormenta a cidade (quando na verdade a doença pouco serve para a trama, altamente descartável). A verdadeira história é a do garoto Scott Bartlett (Rory Culkin), sensível, introspectivo e estabanado (ambos em excesso) relacionando-se com os problemas de relacionamento dos pais que começa a respingar nos filhos, além de sua exclusão no convívio social escolar. Sua única companheira é a vizinha-amor-adolescente Adrianna (Emma Roberts) cuja vida familiar também não é aquela maravilha toda, e juntos, entre confidencias, servem de muleta ao outro, enquanto paixões despertam, enquanto experimentam o que a vida lhes oferece e assistem de camarote as trapalhadas que os pais cometem.
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Amanha ao Amanhecer (Demain Dès L’Aube / Tomorrow at Dawn, 2009 – FRA)
Me irritam filmes como esse, primeiro que só de pensar nesses adultos com vida confortável cuja monotonia os assola e por isso necessitam de brinquedinhos para num resgaste da infância encontrar algum apelo interessante à vida é algo vergonhoso. E o filme de Denis Dercourt não passa disso, uma brincadeira perigosa de marmanjos. E dentro dessa proposta o roteiro segue num clichê óbvio e irritante. Um grupo de homens cria uma sociedade secreta onde revivem a era militar histórica, aquela época romântica em que as armas eram rudimentares e a honra valia uma vida. Dois irmãos entram na brincadeira, se vestem como no passado, participam de duelos e outros movimentos militares em acampanhamentos, além de cuidar das armas, montar guarda e etc. Na necessidade de ter algum atrativo o filme busca uma provocação, alguém ofendido, um duelo onde realidade e fantasia se confundem, perca de tempo.
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Ainda Adoráveis (Lovely, Still, 2008 – EUA)
Meigo, doce, delicado, o cineasta prodígio Nicholas Fackler demonstra uma sensibilidade incrível, ainda mais pela sua idade, em tratar do amor entre pessoas da terceira idade. A aproximação do solitário Robert Malone (Martin Landau) e da graciosa Maria (Ellen Burstyn) causa encantamento, não só pela mudança estrutural na vida de Robert, como nos momentos em que os dois passam a dividir juntos. Tudo filmado de maneira graciosa, envolvente, cativante. Mas os finais dos filmes, sempre eles, e aquela mania de causar surpresa, de reviravoltas, está tudo ali bem planejadinho, calculado como num jogo de xadrez, porém cinema não é uma ciência exata e o que parece perfeito na lógica surge frustrado, desmoronando toda a atmosfera linda que se criara até então com justificativas baratas e pobres de sua fórmula bem gasta.
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Garota Explosiva (The Exploding Girl, 2009 – EUA)
A premissa é de uma fraqueza fulgaz, a necessidade do conflito no roteiro a qualquer custo, ou de causar um elemento que possa aproximar ainda mais a proposta de relação ambígua entre amigos. Jovens na faixa dos vinte anos voltam a seus lares para as férias escolares, numa confusão (epa, como assim?) os pais de Al (Mark Rendall) alugaram o quarto do garoto e agora ele não tem onde ficar e por isso se hospeda na casa de sua grande amiga Ivy (Zoe Kazan). Ela é a garota explosiva, ou a panela de pressão que faz aquele barulho incomodo mas nunca chega ao ponto máximo de causar danos. Sua melancólica aliada a toda sutileza das mãos do cineasta Bradley Rust Gray carregam toda a história dessa garota tentando lidar com as ligações frias e descontínuas do namorado (se conheceram na faculdade, moram em cidades diferentes e só se reencontraram na volta às aulas), na proximidade com a mãe e no sentimento velado perante o amigo Al (e o filme passa toda sua duração afirmando e desafirmando essa reciprocidade que de nenhum dos lados pode ser afirmada). Dentre as dezenas de planos fechados nas fisionomias desesperançosas e sorumbáticas de Zoe Kazan, e diálogos propositadamente desencontrados pela mistura de amizade/paixão da dupla de amigos, o filme perde a fluidez de engrenar na beleza que a sutileza do cineasta oferece, um filme que pulsa, mas pulsa de maneira tão branda que nós mesmos sentimos esse desamparo pela personagem e pelo resultado.

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