Além da Vida

Publicado: janeiro 14, 2011 em Uncategorized
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Hereafter (2010 – EUA)
 
Clint Eastwood abre seu filme com o tsunami na Tailândia, as águas do mar são veículo para a morte que não poupa turistas, ricos ou pobres, a água simplesmente  se alastra pelo continente devastando tudo que encontra pelo caminho  (e a sequencia é fabulosa, a sensação de imensidão e a brutalidade da violência). Outra tragédia mundial também está presente (o ataque terrorista em Londres), não pense que o cineasta está discutindo o aquecimento global ou questões de política internacional, seu interesse está ligado ao plano espiritual.

Que a morte é presença constante em sua obra, não é grande novidade (desde senhores ranzinas na reta final de suas vidas à crianças atacadas por serial killers, ultimamente morre alguém em seus filmes), o adendo é essa questão do espiritismo, a crença no que está por vir no pós-morte e também as visões de quase-morte daqueles que por pouco se recuperaram. Como na fórmula gasta dos filmes de Iñarritu-Arriaga três histórias se entrecruzam, três dramas pessoais, todos com o mesmo questionamento e sob a mesma influência de um outro plano espiritual. Vidas que tomam destinos completamente opostos, pessoas que tentam fugir ou que estão buscando algum alento à dor, estamos sempre nos questionando sobre nosso lado espiritual, sobre o que nos espera após a vida. Intrigante como Clint cruza esses personagens (usa clichês, deixa atores mirins brilharem, oferece até uma deliciosa sequencia de flerte numa aula de culinária) sem demonstrar qualquer opção religiosa mais fervorosa, são apenas histórias contadas, cheias de uma melancolia leve, ainda assim carregadas pela dor e por uma esperança (dolorosa, mas sem fim).

comentários
  1. @cinemacombr disse:

    Acredito que este filme de Eastwood tem uma forte influência do seu produtor Spielberg. Dois anos atrás estava ao lado de Peter Jackson em Um Olhar do Paraíso com o mesmo tema , que também foi explorado por ele mesmo nos anos 80 em Além da Eternidade.

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  2. Wallace disse:

    Belo filme. Abordagem serena do Clint sobre o tema. E, por mais que a morte seja tema constante em sua filmografia, acho que aqui o que importa mais são mesmo os vivos. Nesse sentido, o personagem de Damon é absolutamente comovente, na solidão gerada por seu dom/maldição.

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  3. Não tinha pensado na influência do Spielberg… Mas no fim das contas, o filme tem tudo a ver com a temática dos filmes do Clint, mesmo.

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