Ploy

Ploy (2007 – TAI) 

Pen-Ek Ratanaruang (Ondas Invisíveis) apresenta-se como um explorador nato, o quarto de hotel onde o casal, Wit (Pornwut Sarasin) e sua esposa Daeng (Lalita Panyopas), passam a noite nesse retorno inesperado a Bangkok, devido a um funeral, é explorado minuciosamente, num processo gradativo. A câmera começa com alguns enquadramentos que se repetem, e a medida que a crise do casal invade noite a dentro, os enquadramentos tornam-se mais e mais intimistas, cuidadosos, lentamente teremos uma visão 360º desse ambiente pesado de um relacionamento saturado.

Só que explorar aquele casal e o quarto em si é pouco. Ratanaruang explora o grau de facilidade entre as relações. Um casal, vivendo sete anos de matrimônio, possui inúmeras dificuldades em expressar o desconforto, em colocar pingos nos “i”s, já com uma garota que se conheceu no bar há minutos é muito mais fácil de se abrir, expor seus sentimentos. Ploy (Apinya Sakukljaroensuk) será motivo de ciúmes, de briga do casal, levando a história a um ponto desagradável, diria desnecessário. O interessante é a intimidade absurda entre um adulto e uma garota desconhecida. Wit declara que relacionamentos têm prazo de validade, eles simplesmente expiram. E não tem razão? Uma visão sábia, mesmo de alguém que não esteja convivendo sete anos num relacionamento, mas de uma lucidez absurda percebendo que relacionamentos são assim, uns duram mais, outros menos, mas todos têm seu prazo de validade.

Engraçado como no fundo é um filme romântico em sua excelência, enquanto Wit e Daeng apresentam-se em cacos, uma camareira realiza fantasias sexuais com seu namorado barman, situações opostas, a forma como Tum (Porntip Papanai) transpira todo o desejo e prazer chega ao exasperante de tão real, não há diálogo algum, apenas dois corpos em momento de entrega absoluta, daí à cena final que resume tão bem tantos e tantos casamentos por aí, temos a verdadeira noção da visão precisa e racional do amor por Pen-Ek Ratanaruang, um filme de sensações e verdades ditas em poucas palavras ou veladas em sentimentos intrínsecos.

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Um comentário sobre “Ploy

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