Three Times

Publicado: março 23, 2011 em Uncategorized
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E encerrando essa primeira parte da maratona Hou Hsiao-Hsien, vem meu filme favorito, até agora (a primeira das 3 história é uma obra-prima). Seu filme mais recente é o delicioso A Viagem do Balão Vermelho.

Zui Hao de Shi Guang / Three Times (2005 – TAIWAN/FRA)

Os dias estão passando e a vontade imensa é de rever, não só Three Times como os outros filmes que já vi de Hou Hsiao-Hsien, e infelizmente foram poucos, ainda. Vou falar agora especificamente de Three Times, mas a sensação é a mesma sob todos eles, só que esse se aproxima milimetricamente de Wong Kar-Wai, e de uma forma primorosa. Seus filmes trazem o dissabor ao coração, mas é de forma tão lírica que o gosto amargo aproxima-se do chocolate, é um gosto prazeroso, além de um colírio permanente aos olhos. São três histórias, sempre o mesmo casal de atores (Chen Chang e Shu Qi, a atriz mais linda do universo atualmente?), em três épocas distintas, tratando do amor platônico, sexual ou impossível.

Um clube de bilhar, o ano é 1966, o som de Smoke Gets in Your Eyes penetra em nossos ouvidos, parece surgir do pano da mesa ou das paredes de pintura gasta, não importa, o som toma o ambiente, a câmera valsa com a música, e nossos olhos admirados pela composição. Ela, ele, a mesa de bilhar, a marcação dos pontos, Hsiao-Hsien ganharia qualquer um com um mínimo de sensibilidade ali, naquele momento. Ele vai para o serviço militar, pede para escrever cartas durante aquele pedido, o platônico. Ele volta e a procura, melhor não contar mais nada, porque o que vale é sentir o momento do que está acontecendo. A segunda história se passa em 1911, homenagem ao cinema mudo, o impossível fica claro, aqui a inspiração do cineasta dá lugar a uma estrutura mais arcaica, próxima e serene, porém sem suspiros, ele casado, ela o cuida com carinho em suas viagens de negócio.

A carga sexual está na terceira parte, ela vive com sua namorada, mas se apaixona por um homem, o triangulo amoroso se desenrola, novamente a genialidade não está na história em si, que é simples, mas no como se conta, e principalmente no quanto o poder das imagens pode nos aproximar dos sentimentos de tais personagens. Num corredor estreito ela aproxima luz a uma parede de fotos, ascende um cigarro, a composição do quadro é tão perfeita que o desejo é de abraçá-la, não com apetite sexual, mas com afago, com a singeleza que só amor proporciona. Se já houve a perfeição na utilização de luz e sombra, no aproveitamento de espaços e na multiplicação de sensações, Hsiao-Hsien chegou bem perto aqui. Aliás, vou ali rever esse filme porque a lembrança está me trazendo ainda mais vontade de estar naqueles ambientes novamente, de viver essas sensações novamente.

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