A Insustentável Leveza do Ser

The Unbearable Lightness of Being (1988 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Há toda a questão libertária presente no texto de Milan Kundera. Os personagens, cada um a seu modo, buscando sua própria liberdade interior, enquanto isso, as movimentações políticas cessam com parte dessas liberdades. Tchecoslováquia, o ano de 1968 em Praga é dos mais inquietos, discute-se política nas esquinas. O médico Tomas (Daniel Day-Lewis, fala-se de um filme erótico, há mulheres nuas e insinuações da prática sexual, mas todo o erotismo do filme está presente no olhar de Day-Lewis, aqueles olhos exalam o erotismo) quer mais é divertir-se com o sexo, sem compromisso, apenas o desejo pelo desejo.

As duas mulheres que formarão o triângulo amoroso também vivem seu jeito de buscar liberdade. Sabina (Lena Olin), talvez seja a materialização da liberdade: sexual, profissional, um espírito livre. Já Tereza (Juliette Binoche) vive uma busca incessante, primeiro libertar-se de uma vidinha banal, e da própria mãe. Depois permitir-se a liberdade profissional, sem amarras, fotografar sua própria visão, sua arte.

A vida dos personagens não passa alheia às transformações políticas, os tanques de Guerra Soviéticos invadem Praga, as ruas tomadas por desespero, o diretor Philip Kaufman cria o clima sem exagerar na violência, sem forçar a barra, de maneira galante, quase como se fosse pelas lentes de Tereza, ele registra a tomada das ruas, a fuga da população para a Suíça. O porco que bebe cerveja, o amor que ultrapassa as fronteiras da fidelidade (e faz doer), a dança com um homem qualquer. Pequenos sinais de liberdade enquanto a história desses amores segue, altiva, vibrante. Liberdades oferecem escolhas, e estas, nem sempre te retribuem com a mesma liberdade, porém você sempre tem novas escolhas à sua frente, e para esses personagens, coragem nunca lhes faltou.

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4 comentários sobre “A Insustentável Leveza do Ser

  1. Teu texto me deu uma saudade desse filme, que só vi no cinema na época de sua exibição. Conta os anos e você vai ver que já faz muito tempo. Mas tenho um carinho especial por ele. Na época que vi, tinha acabado de ler o livro do Kundera e foi minha primeira experiência de perceber uma tradução de livro para cinema. E meu primeiro filme com a Juliette Binoche. A primeira vez a gente nunca esquece. Lembrei de uma crítica que saiu na Set, acho que era do Eugenio Bucci, em que ele faz uma espécie de ode aos pêlos pubianos de Tereza. Maravilha…

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