A Hora da Estrela

Publicado: julho 18, 2011 em Uncategorized
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(1985)

Suzana Amaral trazendo às telas o livro homônimo de Clarice Linspector, buscando na ingenuidade absurda (e genuína à personagem) uma maneira de retratar a grande maioria de um povo, o nosso povo, o nosso Brasil. Macabéa (Marcélia Cartaxo, escolhida melhor atriz no Festival de Berlim por sua performance) é de uma simplicidade e pobreza que só nós brasileiros entendemos, ela não lava as mãos engorduradas para bater à máquina, sujando todas as páginas em seu trabalho como datilógrafa. Mora num quarto moribundo, dividido com outras três mulheres, um banheiro comunitário para elas e outras moças que dividem outros quartos. Assistir tv? Só pela janela, sem som, enquanto a dona da pensão acompanha a novela. Cartomante e o amor cruzarão o destino da singela heroína dessa história permeada de ausências, ou de falta de perspectiva. Suzana Amaral cuida de todos os detalhes, dos figurinos à fotografia escura, pesada, modorrenta, peca nas atuações frouxas (exceção à de Cartaxo) e num sentido além da repetitiva idéia de ingenuidade (mesmo quando ela tenta ser “malandra”).

comentários
  1. Pô, mas o José Dumont está ótimo! O que seria do filme se não fosse ele para dar alívio cômico para todo aquele drama? E adorei a Fernanda Montenegro de cartomante. Ficou um clima macabro no ar.

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  2. José Dumont sempre hilário!!!! hahaha

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  3. Denichan disse:

    Coincidência! Esses dias estava lembrando de Macabéa. Tudo bem que a gente reza aquele mantra “livro é livro, filme é filme”, mas confesso que me decepcionei um pouco com o filme… talvez porque eu costumava me identificar com esse lado “ingênuo” que você mencionou, talvez porque eu queria as “explosões” do livro de alguma forma, rs.

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    • Pois é, tirando algo de Carandiru e Blindness, eu nem comparo livros e filmes, é injusto. Este eu nem li, mas fiquei um pouco decepcionado também, a ingenuidade é o ponto alto, mas o restante é precário.

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      • Denichan disse:

        Opa! “Carandiru” e “Ensaio sobre a cegueira” eu li! E gostei bastante, dos 2. E vi os filmes (dos 2). Mas na época que “Blindness” estreou por aqui eu estava justamente estudando esse livro, então gravou mais na memória (ou será o talento do Meirelles?)

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      • querer que o livro seja igual ou mnelhor que o filme é sonhar demais. Mas nesses 2 casos, me desagradaram, faltou parte de importante nos livros que não podia faltar. No Blindness, faltou vida

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