Crimes e Pecados

Publicado: julho 19, 2011 em Uncategorized
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Crimes and Misdemeanors (1989 – EUA)

Duas histórias, uma carregada de veia cômica é protagonizada pelo cineasta (Woody Allen), casado, que sonha em fazer um documentário com um professor de filosofia. Só que, sem dinheiro há um bom tempo, aceita dirigir um doc-retrato de seu cunhado (famoso dramaturgo na TV). Nasce um triângulo amoroso, por um lado o charme do arrogante cunhado (Alan Alda), por outro a conexão intelectual do cineasta fracassado, entre eles a produtora (Mia Farrow) entusiasmada nos depoimentos do professor de filosofia. A outra história traz a carga dramática, um oftamologista (Martin Landau) sofrendo pressão permanente de sua amante (Anjelica Huston) para largar a esposa e se casarem. De que forma se livrar daquela aventura mal planejada? Depois a dor do peso pela decisão tomada.

O primor do texto é algo realmente hipnótico, Allen discorre questões de relação humana numa série de seqüências de alto requinte. Personagens e situações (cômicas ou dramáticas) permeados por um tom de classe, a elegância tanto no sarcasmo da relação entre cunhados, quanto na nuvem negra que pesa sob a cabeça do médico cuja consciência parece pesar mais que sua cabeça pode suportar. É um filme que carece de revisões constantes, há coisas ali que podem mexer com sua mente a cada nova fase da vida. Porém, há uma característica em praticamente todos os filmes de Allen que aqui fica mais evidente, sua fraca direção de atores não extrai deles seus melhores momentos ou cenas de forte impacto (e aqui Martin Landau fica devendo), os filmes de Allen primam sempre pela genialidade nos textos (principalmente em off ou falados com alvo direto no público e não entre personagens), os alter-egos são sempre geniais, mais por repetirem os trejeitos do próprio Allen, é verdade que algumas atrizes (como em Maridos e Esposas ou Hannah e Suas Irmãs) têm atuações destacáveis. Mas, minha impressão é que Allen se preocupa com o texto minuciosamente e depois filma de maneira “preguiçosa”.

comentários
  1. Acho que foi o primeiro Allen que eu vi no cinema. Pra mim, era uma ocasião especial. Nunca o revi, mas guardo mais lembranças da metade dramática do filme. Toda essa fase de Allen com Mia Farrow foi especialmente pesada para ele. Mas rendeu muitos frutos de valor.

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  2. Lucas Mayor disse:

    Martin Landau fica devendo, Michel? Brinca, não. É uma atuação em baixo tom, minimal, difícil pra burro. Tem um comentário do Paulo Francis sobre essa atuação do Landau, que acho precisa.

    O papel de Landau em Crimes e Pecados, em que ele mal move uma sobrancelha, é muito mais difícil do que o de Day-Lewis em Meu pé esquerdo. Neste, Lewis faz um cara que tem paralisia cerebral e só pode usar com inteira liberdade o pé esquerdo. Escreve e pinta com o pé esquerdo. A história é baseada no que chama de vida real e Lewis está duca. Mas, acredite, é muito mais fácil fazer esse atletismo com o pé esquerdo do que carregar no rosto o conhecimento de que se matou a própria amante, como Landau, e não mostrar a ninguém, e depois dizer com a maior simplicidade – que nos faz gelar – que remorso, bem, não existe (…) Woody Allen e Landau cuspiram no sentimentalismo de Hollywood neste filme e insisto que, tecnicamente, é muito mais fácil fazer o que Lewis fez do que o que Landau faz.

    É por aí. Abraços.

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