A Árvore da Vida

Publicado: agosto 17, 2011 em Cinema
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The Tree of Life (2011 – EUA) 

Uma ode à vida, um filme-testamento, a dor humana em seu estado latente. Apenas fragmentos conectados a alguma cronologia de uma história familiar não linear. Aspectos da vida de um pai, versos soltos sobre a tarefa do viver. Difícil definir o resultado dessa realização de Terrence Malick, melhor, não pede definição, não há necessidade. Verdadeiramente, trata-se de uma experiência, e uma experiência sensorial, auditiva, sensitiva e intuitiva (só para ficar em alguns termos). “ame cada folha, ame cada raio de sol” pode soar como autoajuda, um desses workshops ou Powerpoints, retocados pela pretensão absurda de um realizador que conecta a vida de uma família de pai opressor à formação do planeta, à existência dos dinossauros.

Não é bem isso, mais próximo está de uma espécie de ensaio, a leitura da mente de personagens angustiados, Malick traduz suas maiores ambições num conjunto de sequencias onde o importante é o nos fazer sentir. E como ele nos faz sentir. Seja a dor da relação pai-filho, seja a perda, ou a solidão. Malick deixa espalhadas pequenas percepções, como se semeasse na mente do público, sem nunca perder as obsessões de sua “pegada” autoral.

A felicidade (e um pedido de atenção) nas pequenas coisas, nas pequenas belezas. O amor como necessidade humana, e a solidão que infelizmente aflige a praticamente todos. Um filme sobre a vida, e sobre as relações humanas, cenas lentas, repletas de narração em off que mais embaralham do que explicam. Seria uma forma de poesia? Talvez, sim, talvez não, Malick propõe um jogo. A vida, a morte, a fé, os sentimentos incorrigíveis que se acumulam, que afastam as pessoas. Tudo isso refletindo essa experiência grandiosa. Não se trata de um filme fácil, porque devemos captar esse universo simultaneamente macro e minimalista. Malick vai ao grandioso, mas quer tratar do minúsculo, e fere, nos faz sentir o vazio que não está entre os corpos num abraço paterno, mas entre as almas que habitam o mesmo lar e ainda assim tão desconectadas.

comentários
  1. Belíssimo texto, caro Michel. Queria poder ser sintético como você! 😀

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  2. Denichan disse:

    Eu me enganei, grande falha minha. (Concordo com TUDO o que escreveu…) Belíssimo texto [2]

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  3. Veneza 2011 | disse:

    […] nem Árvore da Vida, nem o próprio Faust, e nenhum outro, simplesmente o filme mais aguardado do ano por […]

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  4. Henrique Miura disse:

    Seu texto é muito melhor que o filme.

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  5. […] discussão sobre o cinema de Terrence Malick em sua nova fase, de A Árvore da Vida e Amor Pleno (To The Wonder). Seu novo filme é outra obra-prima ou uma parodia de sua terrível […]

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  6. […] é possível observar que A Árvore da Vida era o prenuncio da nova fase da carreira de Terrence Malick. Fase esta que testa a paciência de […]

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