Drive – Festival do Rio 2011

Drive (2011 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O solitário-caladão (Ryan Gosling) divide sua vida entre o trabalho de piloto-dublê, em produções em Hollywood, e os “bicos” como piloto de fuga em assaltos planejados pela máfia. O filme faz questão de identificá-lo como um sujeito que parece não ter passado, futuro, perspectivas, ambições. Ele simplesmente vive sem prazeres, sem sonhos (talvez até o tenha, piloto de stock-car, mas talvez seja o sonho de seu amigo-chefe), nenhuma direção.

Quando o solitário conhece a vizinha Irene (Carey Mulligan), um raio de sol quase brilha no céu cinzento do sujeito, que permanece caladão, fechado, mas agora até sorri, invariavelmente. Do interesse mútuo vem a confusão amorosa, mas não é exatamente esse o mote do filme. A razão de existir é o exercício estilístico do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, seu universo de referências praticamente se impõe como uma colagem de vários cineastas (temos Tarantino, Lynch, Sofia Coppola, Scorsese, até Kar-Wai). E, dessa salada cinéfila que se constitui seu próprio estilo, sim porque há tantas colagens e referências que se tornam sua própria assinatura.

Desconstruindo gêneros, um filme de ação com narrativa lenta, personagens silenciosos. Um filme violento com cenas em câmera lenta e música pop estilo anos 80. Um filme de máfia pontuado por uma cena de beijo antes de uma luta, no elevador. Uma sequência de perseguição eletrizante e momentos tolos de um flerte sem jeito. Essa miscelânea toda traz um cinema dos anos 70-80 dialogando com algo muito contemporâneo, e funciona bem. Alguns frames são praticamente quadros magníficos, o uso de cores mortas (o cuidado com sombras e tons de verde e vermelho). Tudo hermeticamente pensado, tão pensado que as vezes peca pela artificialidade. Nesse exercício todo, Refn não deixa seu filme decolar, mantendo-o na mesma vibração de seu protagonista low-profile, quase um Clint Eastwood atrás do volante que por não ter “passado” nada teria a perder/temer.

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Um comentário sobre “Drive – Festival do Rio 2011

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