Low Life – 35ª Mostra SP

Les Amants de Low Life (2011 – FRA)

De cara o filme pede revisão. Não parece possível absorver, em meio a um festival e tantos filmes vistos (em sequência), todos os conceitos e a experiência de vida, que o casal de autores Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval, pretendem dividir com o público. O cinema de Klotz se coloca como um ponto de intersecção entre Godard, Bresson e Garrel, usando como fundo a questão política dos imigrantes ilegais (tema recorrente em sua carreira, aliás o filme dialoga muito com os dois anteriores do cineasta, A Ferida pelo tema da imigração e A Questão Humana pela estrutura, e na força de diálogos, por vezes abstratos), para desembocar numa história de amor cuja “separação” deixa em torpor psicológico o casal.

O casal Carmen (Camille Rutherford) e Charles (Luc Chessel), e seu grupo de amigos, são jovens engajados em questões centrais, se envolvem em protestos contra políticas de Sarkozy, sempre carregados com um ar intelectual e essa necessidade de engajamento, de protesto. O foco inicial é esse juventude unida, em torno de seus idéias, ávida por colocar em prática (ou expor ao mundo) seu jeito de pensar, o fim das injustiças. É dessa forma que Carmen conhece o poeta afegão que veio estudar na França Hussain (Arash Naimian), numa ação policial em busca de imigrantes ilegais.

Os jovens se encontram em festas, noites discutindo filosofia, política, é o misto dessa vontade de ser adulto aliada a imaturidade, a motivação que traz garra, mas nem sempre coerência. O filme mergulha de forma perfeita nesse universo jovem, nessa rotina de estudos/protestos e vida social. O ar intelectual (incomoda alguns) está marcado em cada fala, ele dá voz ao casal Klotz-Perceval, e eles começam a tratar do amor (alguns conceitos lindos e tão verídicos aparecem), a apimentar ainda mais essa trama. Carmen deixa Charles (sujeito instável, enigmático) e se apaixona por Hussain, a relação deles é linda, parecem integrados desde o primeiro instante, mas é óbvio que sua ilegalidade será descoberta pela polícia francesa. A falta de liberdade, o medo da extradição consome o casal e os isola do mundo exterior, hipnotizados pela necessidade de ficarem juntos eles não percebem que estão à deriva, instalam uma nova órbita que não podem manter por muito tempo.

Esse é meu tipo de filme, esse é meu tipo de amor, aquele é meu tipo garota. Carmen só não é minha musa da Mostra porque Camila Pitanga está imbatível, mas Carmen é aquele tipo de garota com a sensualidade certa, com senso crítico, com opinião própria, aquela pra você passar horas deitado na cama falando do tudo e do nada.

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