Double Take (2009 – BEL/HOL)

Alfred Hitchcock diz “se voce encontrar  seu duplo , deveria matá-lo”. O cineasta Johan Grimonprez aproxima, numa linha tênua alguns dos filmes do cineasta (além do óbvio Topázio, e Intriga Internacional, o principal é Os Pássaros) da Guerra Fria. Num documentário que mais parece uma tese ele coloca Hitchcock sendo preso durante o período bipolar de disputa acirrada pela hegemonia mundial. Com inúmeras imagens de arquivo entre comerciais e programas de TV com o Mestre do Suspense, e telejornais e debates envolvendo os presidentes dos EUA e URSS, o filme brinca com personagens e situações (como nos comerciais de uma marca de café em que homens são ofensivos com o café ruim feito pelas esposas).

EUA e URSS não seria o duplo do outro e portanto deveriam tentar anular o outro? Entre Kennedy, Nixon, Khrushchev, e Fidel Castro, até figuras mais atuais como Putin e Bush filho, o resgate da corrida espacial e a crise dos mísseis em Cuba são refletidas nos filmes e na figura de Hitchcock, criando-se uma intrigante visão sobre a época e sobre parte da obra de Hitchcock, tudo isso partindo de um fictício encontro imaginado por Jorge Luis Borges entre Hitckcock real e seu duplo no set de filmagem de Os Pássaros. E a tv não sai ilesa dessa história, com novas críticas de que ela mataria o cinema ou estaria pasteurizando o gosto do público, Grimonprez segue o tom do humor negro e nada ingênuo das aparições de Hitchcock, e coloca em debate novamente a disputa desenfreada que dividiu o mundo.

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