Les Bien-Amiés (2011 – FRA)

Num primeiro momento pode parecer que Christophe Honoré foi buscar em seu musical anterior uma forma de apagar o fracasso de seu último filme, afinal a parceria com Alex Beaupain se repete, assim como alguns dos atores que também estiveram em Canções de Amor, além dessa mistura de relações amorosas entre heteros e homossexuais. Os planos de Honoré eram mais audaciosos, narrar a vida de mãe e filha por mais de cinquenta anos de história, entre França, Tchecoslováquia, Londres e Montreal. A mudança mais drástica é no tom, se Canções abusava (inteligentemente) da leveza, com um toque de pluma nos tabus, esse drama-musicado vem com o peso. Peso da Segunda Guerra, o peso de mulheres marcadas pelo sofrimento, e o peso de um roteiro que almeja caminhos diferentes dos usuais a seus personagens.

Se largamos mão nesse placebo que o filme se apresenta, temos apenas dois triângulos amorosos, é a vida da mãe refletindo na da filha. Se a mãe era uma puta que viveu entre o médico tcheco e o guarda frances, a filha se divide entre o professor (colega de trabalho) e o músico americano. Honoré busca, de todas as formas, complicar essa simples equação, porém seus personagens são tão egocêntricos, que o filme se cansa da luta ingrata de deixar de orbitram a volta deles, e se entrega a seus personagens de forma quase desinteressante. Onde está a leveza, Honoré? Ela era seu trunfo, deixe de fugir de uma de suas marcas pessoais.

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