Touro Indomável

Publicado: maio 28, 2012 em Uncategorized
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Raging Bull (1980 – EUA)

Tentando se livrar das drogas, enfrentando uma ferrenha crise conjugal, e logo após um retumbante fracasso nas bilheterias, Martin Scorsese não passava pelos melhores momentos de sua vida, porém Robert DeNiro insistiu, bateu o pé, queria Scorsese na direção dessa biografia do boxeador Jake La Motta, que acima de tudo, é um filme sobre ascensão e destruição de uma carreira e da própria vida. Resumindo, La Motta e Scorsese tinham muito mais em comum do que se poderia suspeitar.

O Touro do Bronx, como era chamado, agia instintivamente, quase como um animal (mesmo que em uma das cenas mais emblemáticas e dramáticas do filme, ele murra a parede dizendo não ser um). Teimoso e íntegro, ciumento, intempestivo, um prato cheio para Robert DeNiro triunfar com esse personagem tão cheio de nuances e momentos ora explosivos, ora românticos (dentro do que se poderia esperar de um boxeador nas décadas de 40-50).

A fotografia em preto e branco dando a impressão de suja e diminuindo o impacto dos rostos marcados por sangue e hematomas, o virtuosismo do diretor (marcantes as cenas do sangue pingando por entre as cordas, ou o plano-sequencia acompanhando o boxeador cruzar o corredor que liga os vestiários ao ringue), Scorsese busca a mesma violência com que La Motta explode em cada ciúmes absurdo, em cada comportamento explosivo que ecoa no fim inevitável de sua carreira e vida.

Mesmo com tudo isso, não nada além dessa vontade de fundir filme e personagem, as cenas de boxe e seus enquadramentos realistas parecem chupados do filme De Corpo e Alma de Robert Rossen. Fora isso temos a eterna luta do mocinho que tenta se desvencilhar dos braços da máfia, e a capacidade nata de destruir completamente uma vida por um comportamento exaustivamente insuportável. E ainda as atuações femininas apagadas, principalmente a passiva (em cena) Cathy Moriarthy que não vai além de um rosto bonito e uma presença física (mesmo que sem sex-appeal).

Já no fim, um monólogo, Jake La Motta gordo, sozinho, fala com o espelho relembrando Sindicato de Ladrões, sua vida está resumida ali e não nos duelos emocionantes contra Sugar Ray Robinson no ringue (um dos maiores boxeadores do mundo e que nunca o derrubou).

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