Carlão Reichenbach

Publicado: junho 14, 2012 em Pessoal
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Acabo de receber a triste notícia do falecimento de Carlos Reichenbach, mais que um diretor de cinema, uma grande figura. Das pessoas mais atenciosas, carinhosas, entusiasmadas, dinâmicas e democráticas que pude conhecer. Não vou ficar aqui fazendo uma biografia, nem elogiando seus filmes, sua obra. Carlão era muito mais que isso, ele era acessível e ele amava esse contato com tudo e todos.

Ele gostava de me chamar de Jean-Pierre Leaud da Penha, quando o conheci tinha um cabelo parecido, o corpanzil até hoje se parece com o Antoine Doinel. Nos conhecíamos, nos encontramos muitas vezes nos cinemas por aí. Não posso chamar de amizade, tinhamos amigos em comum e por esses amigos cheguei a visitar sua casa, sair para comer uma pizza ou conversar na porta do Cinesesc.

Sempre falando de cinema loucamente, uma metralhadora de histórias e opiniões, é dificil falar dele sem se emocionar. Um dos maiores cinéfilos deste país, ele não só nos influenciava, ele tinha o dom de transformar sua percepção só pela forma entusiasmada que falava de uma cena. E ouvia a opinião dos outros, seja quem fosse. Anárquico, amava trocar papos, fã de cinema extremo, de cinema de horror, reunia cinéfilos na Sessão do Comodoro, tinha esse dom de unir as pessoas.

Vou sempre lembrar da barba enorme, dos óculos, do cigarro, da voz característica, o olhar atento, e o entusiasmo com que falava de sua paixão. Do quanto me senti uma criança por estar ali, dirigindo carro com um cineasta de mais de 20 filmes e participação em tantos festivais internacionais, ali do meu lado, no banco da frente. Ele talvez tenha sido a primeira pessoa “famosa” com quem conversei de igual para igual, alguém de carne e osso, e que dominava automaticamente qualquer roda de conversa. Carlão sempre foi vida, sempre foi erótico, extravagante, tudo de uma maneira simples que nem sei explicar.

Um dos caras mais sensacionais que conheci na vida! Pense alguém que fará falta.

numa pizzaria em 2006, com meus grandes amigos Renato Doho, Eduardo Aguilar, Ailton Monteiro e Carlão Reichenbach

comentários
  1. Lembrei de quando ele disse, daquela vez em que estávamos no carro: “siga aquele taxi”, ou coisa parecida, gostando de ter usado um clichê de cinema e televisão.

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  2. Marcelo V. disse:

    Eu temia muito que este dia chegasse. Foi um privilégio conhecê-lo. Um gigante.

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  3. Ediney Fortes disse:

    Tô comovido com a notícia, mal acredito que seja verdade…

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  4. Pior que eu também temia, Marcelo. A saúde dele estava muito frágil nos últimos anos.

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  5. […] (leiam também os textos dos Aílton Monteiro e Michel Simões) […]

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  6. Marlonn disse:

    Uma pena, ele era uma grande figura…Ótimo texto Michel.

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  7. Denichan disse:

    Oi Mi… mais uma vez, obrigado por compartilhar com a gente. E que ele continue a servir de inspiração a muitos amantes do cinema, né…

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