Aqui é o Meu Lugar

Publicado: junho 30, 2012 em Cinema
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This Must Be the Place (2011 – ITA/FRA/IRL) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E o início prometia um delicioso filme, sobre astros do rock enfrentando idades avançadas. Como aquelas figuras envelheceram e estariam lidando após anos de sucesso, extravagâncias químicas e abuso de álcool? Como envelheceram? Sean Penn constrói Cheyenne num visual gótico, um Robert Smith (vocalista do The Cure) cinquentão que fala e anda lentamente, pinta as unhas e se maquia, e mantém um casamento de 35 anos.

Paolo Sorrentino começa flertando com essa cultura do cinema indie americano, personagens cheios de esquisitices, alheios à sociedade, vivendo sua própria solidão ou incapacidade de relacionamento social (o garoto nerd é exemplo típico do quão desnecessária se torna essa afirmação de gênero).

A primeira parte se esforça em afirmar o quanto esse pequeno clube de personagens se coloca à margem do que se poderia chamar de “normal”. Eles causam estranheza por onde andam, chamam a atenção por mais que queiram passar despercebidos. Preferem utilizar a piscina como espaço para praticar um esporte inusitado, que não tenha água, são artimanhas utilizadas por Sorrentino para seguir afirmando essa condição de cinema indie.

Mais adiante o filme parte para um road movie pelos EUA, outros temas “mais importantes” como a relação pai-filho ou caça nazista aos judeus ganha enfoque (é Sorrentino querendo trazer o peso do político). A referência a Wim Wenders, em Estrela Solitária é automática. Mas aqui, o cineasta vai perdendo o controle da situação de uma forma em que expor é a única maneira encontrada de buscar contundência.

O filme já perdeu sua essência, a graça de Cheyenne ficou pelo caminho, essa busca por satisfazer as necessidades do pai (numa forma de consertar os anos de distancia entre eles) evoca a inconsistência. Resta Sorrentino testando seus maneirismos, abusando dos travellings e da necessidade de explorar os ambientes. Ou buscando o cult nessa brincadeira de mostrar o quanto a juventude olha apenas ao seu umbigo, como na sequencia (picotada) da canção que dá título ao filme.

comentários
  1. Camila disse:

    Você fez uma ótima critica ao filme… tenho que concordar com vários pontos que ressaltou, mesmo assim…Eu tenho que confessar que gostei do filme.Não consegui achar ele ruim, adorei a trilha sonoro, a fotografia, e achei o Sean Penn fantástico, ele sempre me surpreende nas suas interpretações. Acho que vale a pena ver.

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  2. Youth | disse:

    […] idade. O escritor de A Grande Beleza (que lhe rendeu o Oscar de Filme Estrangeiro), o roqueiro de Aqui é o Meu Lugar, até mesmo o político de Il Divo, estão todos passando pela crise da velhice. A diferença […]

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