Aqui é o Meu Lugar

This Must Be the Place (2011 – ITA/FRA/IRL) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E o início prometia um delicioso filme, sobre astros do rock enfrentando idades avançadas. Como aquelas figuras envelheceram e estariam lidando após anos de sucesso, extravagâncias químicas e abuso de álcool? Como envelheceram? Sean Penn constrói Cheyenne num visual gótico, um Robert Smith (vocalista do The Cure) cinquentão que fala e anda lentamente, pinta as unhas e se maquia, e mantém um casamento de 35 anos.

Paolo Sorrentino começa flertando com essa cultura do cinema indie americano, personagens cheios de esquisitices, alheios à sociedade, vivendo sua própria solidão ou incapacidade de relacionamento social (o garoto nerd é exemplo típico do quão desnecessária se torna essa afirmação de gênero).

A primeira parte se esforça em afirmar o quanto esse pequeno clube de personagens se coloca à margem do que se poderia chamar de “normal”. Eles causam estranheza por onde andam, chamam a atenção por mais que queiram passar despercebidos. Preferem utilizar a piscina como espaço para praticar um esporte inusitado, que não tenha água, são artimanhas utilizadas por Sorrentino para seguir afirmando essa condição de cinema indie.

Mais adiante o filme parte para um road movie pelos EUA, outros temas “mais importantes” como a relação pai-filho ou caça nazista aos judeus ganha enfoque (é Sorrentino querendo trazer o peso do político). A referência a Wim Wenders, em Estrela Solitária é automática. Mas aqui, o cineasta vai perdendo o controle da situação de uma forma em que expor é a única maneira encontrada de buscar contundência.

O filme já perdeu sua essência, a graça de Cheyenne ficou pelo caminho, essa busca por satisfazer as necessidades do pai (numa forma de consertar os anos de distancia entre eles) evoca a inconsistência. Resta Sorrentino testando seus maneirismos, abusando dos travellings e da necessidade de explorar os ambientes. Ou buscando o cult nessa brincadeira de mostrar o quanto a juventude olha apenas ao seu umbigo, como na sequencia (picotada) da canção que dá título ao filme.

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3 comentários sobre “Aqui é o Meu Lugar

  1. Você fez uma ótima critica ao filme… tenho que concordar com vários pontos que ressaltou, mesmo assim…Eu tenho que confessar que gostei do filme.Não consegui achar ele ruim, adorei a trilha sonoro, a fotografia, e achei o Sean Penn fantástico, ele sempre me surpreende nas suas interpretações. Acho que vale a pena ver.

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  2. Pingback: Youth |

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