L’Apollonide – Os Amores na Casa de Tolerância

Publicado: julho 25, 2012 em Uncategorized
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L’apollonide: Souvenirs de la Maison Close (2011 – FRA)

Bertrand Bonello sim conseguiu captar a melancolia e distanciar do glamour das casas de prostituição de luxo. Estamos em 1899-1900, num tom lento e penetrante o cineasta radiografa as bizarrices de clientes, o vazio daquelas moças que vivem sem esperança, porém precisam alegrar seus clientes a cada noite, transmitir-lhes entusiasmo.

A câmera se posiciona de forma cirúrgica, poucos movimentos, ainda assim penetra por entre corpos (nus, sem nunca demonstrar erotismo, a coisa fria de um filme de arte) e ambientes. Deflagra a solidão, a tristeza, o total desconsolo que tão lindas mulheres carregam ao se verem presas, dependentes quase como escravas, vendendo seus corpos sem perspectiva nenhuma de sair daquela casa.

A imagem quase o torna um convidado, a beber vinho naquele pinico dourado, mergulhar seu corpo na banheira de champagne, ou visualizar o sexo por espelhos, como numa casa de swing. O que faz Bonello com maestria é desvendar máscaras, é desmistificar o glamour daqueles sorrisos tão radiantes na sala de estar onde os homens de estirpe, burgueses adúlteros, que mal imaginam a frieza mecânica com que as mulheres contam com quantos estiveram aquela noite, ou se lavam com desprezo dos fluídos trocados.

comentários
  1. ailtonmonte disse:

    Michel, vc tá cada vez melhor com as palavras. E creio que o filme do Bonello foi inspirador.

    Curtir

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