A Mosca

amoscaThe Fly (1986 – EUA)

A ansiedade sem limites de cientistas e inventores em confirmar que suas invenções realmente tornam possíveis situações, aparentemente, impossíveis são reticentes no cinema. David Cronenberg (naquela sua fase onde o grotesco, as deformações e rios de gosma nojenta tomam conta da tela) também deu seus pitacos no assunto. A mistura desse estilo de excentricidades visuais com um cuidado milimétrico em narrar uma história clichê, dosando sabiamente seu fascínio pelo “nojento” por toques de humanidade (aqui na relação amorosa entre criador e a jornalista), funciona perfeitamente causando uma atração pelo suspense, e pela deformidade que se estabelece na congruência homem-mosca.

Praticamente todo filmado dentro do laboratório com as máquinas que poderiam “mudar a humanidade como conhecemos hoje”, Cronenberg consegue criar não só a atmosfera exata, como o próprio dilema das transformações sociais (do sujeito introvertido, passando pela libertação pelo romance, até os limites da liberação ao partir “à caça” num bar qualquer), assim como a expectativa pelo caminho que a mutação possa tomar. Até o grand finale quando se questiona até onde vai o limite de um experimento e até que ponto o amor pode “suportar” uma relação. Cronenberg flerta com o grotesco e com o amor, os mistura num mesmo recipiente e consegue desenvolver os mesmas temas numa roupagem freak, e atraente.

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