Faroeste Caboclo

faroestecabocloFaroeste Caboclo (2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Até difícil entender como essa música, tão cinematográfica, demorou tanto tempo para ser adaptada aos cinemas. Seu caminho óbvio era esse, e a demora apenas criou um abismo entre a força política que ela representou à época e o momento em que foi lançado. Porque parece mais que datado reconstituir a história de João de Santo Cristo naquela época de ditadura militar, a repressão e as desigualdades sociais ainda mais contudentes do que nos dias atuais.

Foi pelas mãos do diretor estreiante René Sampaio, e ele vem cheio de estilo, num faroeste no planalto central, com direito a duelo, olho no olho antes de sacar a arma e mocinha chorando pelo amado. Sampaio foge do beabá dos “blockbusters nacionais”, seja pela fotografia suja, seja pelos enquadramentos cheios de pose, sem dúvida um garoto promissor dirigindo uma câmera vibrante, tanto quanto a história de amor entre drogas e disputas do tráfico.

A grande questão fica por conta do roteiro, as opções para facilitar o roteiro, além de deixarem de lado a crítica político-social, viram o foco para o romance, de uma tal maneira, que a história shakesperiana escrita por Renato Russo, vira praticamente a tragédia de Romeu e Julieta. O amor vira a razão de ser dessa história, não basta os atores aturem bem isoladamente, se o romance não se vende ao público, se a força daquela canção acaba transformada numa disputa por um amor que já está resolvido, e fadado ao fracasso. Ainda assim, um faroeste à brasiliense.

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