Moloch

molochMolokh (1999 – RUS) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

O âmago do ditador Adolph Hitler (Leonid Moszgowoi) como você jamais imaginou. A relação com sua principal amante, Eva Braun (Elena Rufanowa), e seus assessores mais próximos, durante um mero fim de semana no campo, em plena Segunda Guerra Mundial. Uma intensa e reflexiva demonstração da intimidade do pai do Nazismo, sob uma ótica deturpadora e polêmica da imagem de grande líder da nação e mentor da série de horror promovida aos judeus. Alguns povos antigos adoravam divindades malévolas associadas a sacrifícios humanos, eram assim chamados Moloch.

O diretor Aleksandr Sokurov faz uma reconstrução impecável da época, tudo acontece em torno do casarão isolado onde vivia Eva Braun, nos Alpes da Bavária. Apoiando-se no clima sombrio de seus trabalho anteriores o diretor abusa das imagens granuladas e imperfeitas, do tom marrom e verde musgo, da sensação de nuvem, de neblina. Sua presença pode ser notada em cada movimento de câmera, em cada gesto dos atores. O ritmo lento, o olhar vagaroso, como se o público admira-se um quadro num museu, olhando, com prazer e atenção, a cada detalhe, vivenciado cada cena.

A frieza da abordagem e a parcialidade com que a plateia vê a figura do ditador são elementos atenuantes, causadores de uma reflexão muito mais profunda de cada palavra, de cada discurso proferido pelo Führer. O olhar ensandecido do ator Leonid Mosgowoi refaz com muita propriedade o espírito do ditador, vagando pela ópera ou degustando uma insignificante sopa. Nesse refugio, Hitler, acompanhado do Ministro da Propaganda, Joseph Goebbles (Leonid Sokol), e seu principal assessor, Martin Bormann (Vladimir Bogdanov), procura desfrutar de momentos tranquilizadores, em passeios pelo jardim ou nos braços de sua amante. Neste clima Sokurov sai à procura de características íntimas do ditador, apresentando um homem patético, hipocondríaco e covarde. Eva Braun é a única que ousa afrontá-lo, enquanto todos se humilham em momentos de “puxa-saquismo” flagrante.

Esse Hitler esquizofrênico, amante das artes, cercado de figuras decorativas, demonstra-se desinteressado pelos assuntos da guerra e esquiva-se quando tem chance. Mantém as aparências com discursos ensandecidos sobre urtiga, a Ucrânia, ou os problemas dos tchecos e dos finlandeses. Nem mesmo o Duce escapa de críticas, mas é com Eva que o Führer desprende-se de sua máscara e escancara suas fragilidades. Sokurov ousa tratá-lo como humano, explorando o amor e ridicularizando-o cada vez mais. Por vezes, é difícil acreditar em uma figura tão lamentável, afinal, acreditar num fantoche produzido pelos Nazistas seria muita fantasia.

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