Clube de Compras Dallas

Publicado: fevereiro 21, 2014 em Cinema
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EXCLUSIVE: Matthew McConaughey and Jared Leto film scenes together for The Dallas Buyers Club in New Orleans.Dallas Buyers Club (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Como o Oscar adora as transformações físicas que um ator se sujeita por um personagem, a garantia de vitória dos prêmios de atuação para Jared Leto e Matthew McCounaghey é grande. E realmente são trabalhos de respeito, por mais que não tragam nada de novo ao espectro dos personagens a que se assemelham. O cineasta Jean-Marc Vallée trabalha com cores desgastadas, uma espécie de cansaço visual intimamente ligado à saúde dos dois estranhos que se unem numa luta, inglória, pela própria sobrevivência.

Anos 80, o HIV positivo é sentença de morte, afinal não havia medicamentos para combater a doença. O AZT era testado, enquanto isso os contaminados morriam em poucos dias. Nasce pelos EUA uma espécie de Clube de Compras, onde interessados se uniam e compartilhavam pesquisas, corriam em busca de medicamentos, mesmo na ilegalidade e sem os testes comprobatórios do FDA. Arriscado? Sim. Única saída? Podem ter certeza.

É interessante esse contexto histórico de uma transição até os tempos de hoje em que a AIDS é terrível, mas a vida pode ser prolongada com eficazes resultados. Ron Woodroof (McCounaghey) é o corajoso-machão que enfrenta o governo, peão de rodeios, pega na unha médicos e quem estiver em seu caminho. É o típico americano médio do interior dos EUA, preconceituoso e moralista, que desprevenido acabou como HIV positivo, mas não aceita sua condição sem lutar por sua vida.

Vallée tinha muitos caminhos a seguir, preferiu o de narrar a história concentrando-se nas transformações físicas de seus personagens doentes. Incapaz de oferecer mais detalhes sobre a mecânica do clube, e pouco efetivo num cinema que fuja das amarras conhecidas onde personagens são dóceis (e combativos), e onde o sofrimento psicológico é facilmente substituído pela vontade de viver. Vallée só consegue traduzir sua história num trabalho impessoal, sem a chama da emoção.

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