JoeJoe (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

David Gordon Green largou mão das comédias e voltou ao tom dos filmes do início de sua carreira. Sempre filmando o interior dos EUA, cidades ligadas ao mundo rural, o povo mais interiorano de famílias violentas e problemáticas. Green não pode reclamar das comparações com Terrence Malick, afinal, além de muitos pontos de congruência, ele escolhendo um ator que acabara de trabalhar com Malick (Tye Sheridan, em A Árvore da Vida) é pedir pelas comparações.

Vejo sempre como positivo um autor que tem uma marca autoral forte, e Green é dessa turma. A aridez que se mistura com a vegetação, os tipos, as roupas, essas cidades que são a raiz do povo americano, mas que estão tão distantes das grandes capitais, como New York. Green invade o íntimo dessas pessoas. Joe (Nicolas Cage) é um ex-presidiário que vive como capataz, sua missão é cuidar dos empregados que vão “envenenar” árvores para serem derrubadas, e ali plantar-se pinheiros (mais lucrativo).

No meio daquele mundo rural que ele conhece pai (Gary Poulter, um sem teto que morreu 2 meses após as filmagens) e filho (Sheridan). Um bêbado vagabundo, e o outro um garoto entusiasmado. A metáfora entre árvores e pessoas não funciona, a imprevisibilidade e explosividade de Joe também não são lá tão marcantes. Mas, é nessa irregularidade que o filme melhor se equilibra, onde se percebe seu charme. Afinal, as pessoas são tão frágeis e volúveis, e Green filma a marginalidade como rotina familiar.

Prostituição, cães, famílias fragmentadas, como se o ambiente fosse influenciado “pelo ar”. Coragem, ombridade, justiça, colocadas de lado por interesses mesquinhos e pessoais, a vaidade como lei suprema, e tantos Joe’s por ai, fazendo tanto mal a si próprios até encontrar alguém que eles finalmente acreditem que valha a pena investir valores que não sejam financeiros.

comentários
  1. Manglerhorn | disse:

    […] comédias tolas, Gordon Green decidiu retomar de onde havia parado. Vieram Prince Avalanche e Joe (o mais próximo de chupinhar Malick que o diretor chegou), e a clara demonstração que quanto […]

    Curtir

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