A Princesa da França

Publicado: setembro 24, 2014 em Cinema
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aprincesadrafrancaLa Princesa de Francia (2014 – ARG) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da janela de um apartamento, um longo plano-sequência ao som de Schumann, presencia (bem de longe) uma quadra de futsal. A visão é parcialmente coberta pelo telhado de uma casa. O jogo vira uma grande brincadeira com os coletes dos jogadores. Uma brincadeira de misturar e confundir que o diretor Matías Piñeiro vai performar, habilmente, com um grupo de jovens e os envolvimentos após o retorno de Victor (Julián Larquier Tellarini).

Shakespeare, cinema/teatro, as pinturas do francês William-Adolphe Bouguereau. Piñeiro nos faz recordar tantas referências, e ainda assim apresenta um estilo próprio, peculiar, devastadoramente atraente. A câmera se posiciona inclinada (alguns centímetros acima do que fazem os Dardenne), pelas costas dos personagens, que se beijam escondidos, conversam. O retorno de Victor é estopim para amores antigos, novos, o reencontro com a namorada. O roteiro cheio dessas referências culturais (ao público, e aos personagens) cria tantos vai-e-vens que se permite repetir cenas, multiplicando a mesma situação em múltiplas possibilidades. Todas simples, triviais, porém completamente antagônicas aos envolvidos.

O grupo monta Shakespeare (Love’s Labour’s Lost) no rádio, enquanto isso discutem referências, atualizam o que se passou no 1 ano em que Victor esteve fora, vivem amores e traições. Piñeiro é sutil, mas o domínio que tem de tudo é notável. Traz a excelência da criatividade de Resnais, a leveza de A Esquiva de Kechiche, o descompromisso de uma Nouvelle Vague renovada. A câmera é inquieta, porém suave, trafega pela movimentação de seus personagens num ballet onírico. Trata do amor, com linguagem jovem, permitindo que a desconexão das cenas traga uma pluralidade às complicações amorosas da vida moderna. Um dos melhores filmes do ano!

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comentários
  1. […] A Princesa da França [Matías Piñeiro] – destaque na competição […]

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  2. […] A Princesa da França, de Matias Piñeiro […]

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