Eden

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Eden (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O cinema de Mia Hansen-Love sugere a comparação a um avião planador. Seus filmes sobrevoam personagens com leveza, observam num voyeurismo contemplativo. A sutileza ocupa o espaço do peso dramático, ela sempre opta pelo singelo, se permite evitar o profundo, sem que se esquive das dificuldades (a morte do pai em O Pai das Minhas Filhas, a fase problemática do protagonista neste novo filme). Hansen-Love surge como um novo expoente do cinema novo francês, mas, mesmo selecionado para o Festival de San Sebastian, seu novo trabalho se coloca apenas num segundo escalão de destaques do ano.

Baseando-se livremente na vida de seu irmão, Hansen-Love foca seu olhar na cena eletrônica francesa, que nos anos 90 começou a ganhar destaque (tendo como seu grande nome o Daft Punk). Paul (Félix de Givry) surge nessa época num duo de house-garage, e por meio de capítulos (que constituem 20 anos), o filme traça o perfil de alguém que tentou viver da música, aproximou-se do sucesso, mas não conseguiu solidificar a carreira. O filme vai da empolgação aos amores frustrados, das raves e amizades até os desprazeres provocados por excesso de drogas, as expectativas e decepções maternas. A palavra Eden remete a um “local de prazeres”, e a vida de Paul sempre foi um eden inconsequente, um sonho levado ao extremo do possível.

Do mundo underground, a visão de Hansen-Love é bela, recheada desse contemplativo que equilibra o ritmo das músicas e a “vida loca” da juventude. Com naturalidade, o filme dosa essa equação entre pura agitação e leveza, num travelling de 180º filma  a galera vibrando com o setlist de Paul, a câmera trafega lentamente, os corpos pulam ao ritmo da música, é um conjunto que só fica harmônico no filme. Há outras cenas desse tipo de beleza, a cineasta não parece interessada em ir muito além da cena musical da época, nem mergulhar nas profundezas de Paul, prefere essa posição intermediária de quem observa tudo sem julgamentos.

Filmes de Mia Hansen-Løve aqui na Toca: O Pai das Minhas Filhas | Adeus, Primeiro Amor

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