Califórnia

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O segundo longa-metragem de Marina Person, novamente, ressalta a exposição de sua própria biografia. Após o documentário Person, sobre o falecido pai cineasta, Marina agora resgata suas memórias adolescentes resgatando a adolescência feminina nos anos 80. Seu filme é todo certinho, pontua a situação política à época, se preocupa em cenários que dialogam com a década, toca em temas tabu com simpatia sem ferir ninguém.

Estela (Clara Gallo) é a alter-ego da cineasta, e pela vida escolar-familiar-sexual-cultural da garota que se estabelece a identificação com estes anos 80. Altamente conectada com o tio (Caio Blat) que mora na Califórnia e vive o drama da AIDS, a adolescente vive do sonho de uma viagem libertadora por solos americanos, enquanto vive de cartas e fitas que o tio se corresponde com o melhor do rock da época (Cure, REM, e muito David Bowie).

Marina dialoga sua feminilidade como se falasse com uma sobrinha, ou filha adolescente, e aproveitasse assim para ilustrar aquelas conversas espinhudas que, invariavelmente, acontecem, até que com algum tom apimentado. Os romances e os consolos, a proximidade com álcool e drogas, a dificuldade de relacionamento com os pais. Enquanto a diretora dá cabo de tudo isso, transforma suas lembranças numa versão extendida, e simpática, de Malhação, embalada por trilha sonora que nos empolga facilmente.

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Um comentário sobre “Califórnia

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