A Promessa

apromessaLa Promesse (1996 – BEL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Tendo sua estreia mundial em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne colocavam, definitivamente, seus nomes como um dos grandes do cinema na atualidade. A definição clara por temas ligados à critica ao socialismo e globalização (no melhor estilo Ken Loach), e à imigração ilegal, e o estilo narrativo mais próximo daquele que marcou a forte presença autoral do trabalho dos Dardenne, A Promessa é o filme que marca a transição da fase de documentários, e primeiros trabalhos de ficção – que já demonstravam sinais desses pontos – ao cinema característico e consagrado que a Palma de Ouro para Rosetta confirmou.

No cerne da história, um rapazote magricelo, de 14 anos (Jérémie Rénier e com um quê de Jean-Pierre Léaud) e seu pai (Olivier Gourmet) vivendo do transporte e exploração dos imigrantes ilegais. Visto hoje, não carrega o mesmo senso de urgência da época, afinal, chegamos a outro estágio da discussão europeia de imigração. Por outro lado, nunca deixará de ser chocante o tipo de exploração e desprezo humano. Pessoas tratadas como mercadorias, e surge nesse rapaz um mínimo de humanidade (não herdada do pai), que leva o filme a caminhos diferentes do que a simples reprodução das condições precárias e demais tipos de abuso de pessoas mais que necessitadas.

Os Dardenne filmam de maneira seca, já começando os sinais da obsessão em filmar pela nuca dos personagens, de planos-fechados. A clara demonstração da insatisfação contra o capitalismo insano e a falta de humanidade em “oportunidades”. Uma promessa, o peso da culpa, e um garoto assumindo responsabilidades ligadas a sua visão de justiça. A sua volta, uma enormidade de comportamentos sobre a intolerância e esse grau de julgamento de inferioridade para com os imigrantes, que fogem de absurdos e condições precárias para receber tratamentos que mais se assemelham a um filme de horror.

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