Mais Forte que Bombas

maisfortequebombasLouder than Bombs (2015 – NOR/FRA/DIN) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A carreira do norueguês (nascido na Dinamarca) Joachim Trier surge meteórica pelos festivais europeus, seu primeiro filme já correra por Rotterdã e Karlovy Vary. Mas foi mesmo o grande destaque de Oslo, 31 de Agosto (Un Certain Regard) já o credenciaram para que seu próximo trabalho chegasse a competição principal de Cannes. E por mais que a produção seja europeia, os atores são americanos, dando-lhe uma visibilidade comercial bem maior.

A narrativa tenta embaralhar as informações, começa com Jonah (Jesse Eisenberg) no hospital segurando seu filho recém-nascido (esses primeiros instantes lembram o cinema atual de Terrence Malick), o encontro inesperado com a ex-namorada (Rachel Brosnahan, de House of Cards), o corredor claustrofóbico do encontro no hospital. Depois o pai (Gabriel Byrne) tendo que lidar com os detalhes da exposição em homenagem a sua esposa (Isabelle Huppert), fotógrafa renomada recém-falecida. Por fim, o outro filho do casal, o adolescente (Devin Druid) que guarda a agressividade da incompreensão misturada com a tristeza calada pela morte da mãe.

Trier desenvolve essa família em plena ebulição, outro dia alguém falou em dramas-de-pessoas-brancas. Claro que estava criando um tema pejorativo, querendo falar de dramas de vidas burguesas. E o filme segue realmente esse tom, são vidas que nunca sofreram de dificuldades financeiras. O filho que encontra refúgio no videogame para não se comunicar com o pai, o novo adulto ainda inseguro das escolhas que fez para-a-vida-toda, e todo o peso da desestabilidade que pode ser causada, tanto pela morte, quanto por um casamento frustrado.

Lentamente, o personagem adolescente se torna o verdadeiro centro das atenções, a primeira paixão juvenil, os textos autobiográficos que resumem tão bem aquela personalidade reclusa, e as interferências de pai e irmão que nem sempre são ouvidas. Trier busca aprofundar tudo e todos, e algumas coisas acabam funcionando melhor do que outras, nesse mar de irregularidade, há pontos interessantes, e uma proposta de cinema que tende a solidificar.

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