Paul Verhoeven – Perfil (fase holandesa)

paulverhoevenAntes de chegar a Hollywood e ao cinema mainstream, que popularizou seu nome mundialmente, o diretor Paul Verhoeven, teve uma extensa carreira em seu país natal, a Holanda. Uma rápida obervação desse período entre os anos 70 e meados dos 80, indicam um cinema de variações em alguns temas centrais, de uma estética que já antecipava os ano 80, e um cineasta obcecado por obsessões visuais intensas, como o escatológico, além de parcerias rotineiras com atores (principalmente Rutger Hauer e Monique Van de Ven). Mesmo o sucesso nos EUA, ele nunca se distanciou de aspectos do cinema mais vulgar, variando entre o controverso e o provocativo.

O sexo surge como o tema mais importante de sua fase holandesa. Nunca gratuito, em seus filmes o sexo determina poder e libertação. Os personagens com mais articulação de poder sob o sexo demonstram sempre influência, poder sob os demais, são dominadores. Como exemplo, seu segundo longa-metragem, Louca Paixão (Turks Fruit / Turkish Delight, 1973), considerado por alguns como o melhor filme holandês do século passado, o escultor (Rutger Hauer) vive de suas conquistas em seu ateliê vagabundo. Despreza mulheres após a conquista, mas se apaixona por aquela (Monique Van de Ven) que tem também um comportamento sexual libertário e dominador. A partir dali o filme trata desse amor de altos e baixos, de paixão avassaladora de forma intensa, são os tempos de libertação sexual. O sexo já era figura central em sua estreia, na comédia Negócio é Negócio (Wat Zien Ik / Business is Business, 1971), onde duas prostitutas vizinhas (Ronnie Bierman e Sylvia de Leur) vivem, no famoso distrito de Amsterdam, sob trapalhadas e fantasias de seus clientes.

A prostituição está de volta em no drama de época O Amante de Kathy Tippel (Keetje Tippel, 1975), adaptação do romance biográfico de Neel Doff sobre uma garota que chega a Amsterdam, no século XIX, e encontra o único caminho para sobreviver entre o amor e os preconceitos da alta sociedade. Novamente com a dupla Hauer e Van de Ven protagonizando o par romântico. Em Sem Controle (Spetters, 1980) que Paul Verhoeven volta seus olhos à juventude, como foco a história trágica de três amigos no mundo do motocross, que se apaixonam pela mesma garota (Renée Soutendijk, outro exemplo de mulher que domina a todos em sua volta pelo poder do sexo). Verhoeven reflete sob a juventude sonhadora e idealista, e ainda tão imatura e pervertida.

O outro grande tema de Verhoeven é a Segunda Guerra Mundial, o Nazimos e Facismo. Soldado de Laranja (Soldaat van Oranje / Soldier of Orange, 1977) é a referência mais óbvia sobre a dominação nazista na Holanda e o exílio da rainha em Londres. Através de um grupo de estudantes (entre eles Rutger Hauer), a narrativa acompanha os movimentos deles em espionagem, e feitos militares contra a expulsão dos alemães. Entre as ações de guerra, Verhoeven desenvolve romances, triângulos amorosos e o vazio de uma geração perdida pela falta de liberdade e o exílio. No filme para a TV, Tudo Passa (Voorbij, Voorbij / All Things Pass, 1981), resume a sede de vingança décadas após a Segunda Guerra Mundial. Ao reconhecer um torturador inimigo, o sexagenário Ab (André Van den Heuvel) parte em busca de reencontrar seus amigos de guerra e juntos cumprirem a promessa de matar aquele inimigo. É o primeiro filme em que o sexo é colocado de lado, seus personagens carregam a culpa, enquanto Verhoeven analisa o destino de cada um ao longo dos anos.

A despedida de Verhoeven da Holanda vem com o ótimo O Quarto Homem (The Fourth Man, 1983), thriller sobre o homem atormentado por visões (Heroen Krabbé, que esteve em Sem Controle) que se apaixona pela sedutora viuva (novamente Renée Soutendijk) e depois passa a desconfiar que ela pode ser uma seria killer de maridos. É outro exemplar da mulher que domina tudo a sua volta com o sexo, e o filme retoma esse aspecto sujo visual e o sexo como algo mecanizado (pela ausencia do glamour), mesmo que calcado totalmente na libido.

Sua chegada ao cinema dos EUA se dá filmando na Espanha uma história no século XIV na Europa (post amanha), guerras e sexo novamente unidos. Já no mundo mainstream, Verhoeven filma o facismo claramente em Tropas Estelares, e até mesmo em Robocop e O Vingador do Futuro. A dominação por vias do sexo estão em Showgirls, Traição (outro de sua volta à Europa) e até O Homem Sem Sombra, mas o auge é o furacão Sharon Stone em Instinto Selvagem, e agora com o maravilhoso Elle (e Isabelle Huppert). De volta a Holanda, e a Segunda Guerra, o lindo A Espiã, mas esses filmes ficam para um outro papo.

Ranking dos Filmes de Paul Verhoeven

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