La La Land

lalalandLa La Land (2016 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

De vez em quando um novo musical traz a sensação de frescor ao cinema, e a pergunta: será que os musicais podem voltar dessa vez? E o filme passa, o momento passa, e os que odeiam musicais respiram tranquilizados. Mais que qualquer outro gênero, o musical talvez tenha sido o que mais envelheceu, ou o que menos consegueu dialogar com o público moderno, ao mesmo tempo em que seja o que mais exige dos atores. É curiosa essa relação, e talvez por isso, alguns filmes sejam tão bem recebidos, de vez em quando.

Damien Chazelle já tinha a música como tema em seus dois trabalhos anteriores, Whiplash o mais conhecido. Agora, realiza uma brincadeira de trazer ao tempo presente, personagens que poderiam estar, facilmente, nos anos 50. Carregam seus celulares, mas se vestem como na época, combinam de ir ao cinema ver filme do James Dean. Ele (Ryan Gosling), então, ama o jazz, e tem como lema de vida, ser dono de um clube daqueles tempos.

Dividido por estações do ano, o filme conta a história do casal, poderia ser um filme de Woody Allen (Emma Stone como protagonista só corrobora com a semelhança) no espírito, mas a trama repete, em muito, o musical clássico francês Os Guarda-Chuvas do Amor. Não que isso seja problema algum, mas lhe escapa a orginalidade.  Ficar procurando problemas no filme talvez seja uma tarefa desnecessária, aparentemente Chazelle está tomado pelo clima romântico platônico (tal qual um musical deve repirar) e realiza um trabalho impecável tecnicamente, além de garantir bons sorrisos no rosto em qualquer um da plateia.

Planos-sequencias que dão ritmo à narrativa, aliados a detalhes que flertam com o sensível, e dois atores na crista da onda do cinema mundial. Eles cantam, em alguns momentos encantam, em outros nem tanto. Stone no típico papel que tem atuado, e Gosling com cara de um bronco-bonzinho, romântico enrustido. O que Chazelle não consegue tão bom é manter suas cenas além da mecânica planejada, é tudo tão bem ajeitadinho, mas no miolo essa tentativa de provar o amor infinito do casal, o nasceram-um-para-o-outro, está nas imagens, nem sempre no coração. Excesso de engenharia para um musical romântico.

Chega como favorito ao Oscar, nessa altura da temporada, e realmente vai estar entre os melhores filmes do ano, e todos estes senões citados acima podem ser excesso de rigor, mas La La Land não transforma em amor inflamado todo este romance, de altos e baixos, como todos os romances verdadeiramente são, que Chazelle tenta nos vender. Não se acanhe, entre romance e melancolia, o despertar desse relacionamento e o desfecho seminal, já fariam o filme valer muito a pena. Ainda vou me pegar, por um bom tempo, cantarolando City of Stars, assim, meio que de repente, a rat-tat-tat on my heart.

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3 comentários sobre “La La Land

  1. Concordo. Acho um filme mecanizado que não flui com a leveza de um “Os guarda-chuvas do amor” ou “Duas garotas românticas” – considerando que o cinema musical de Jacques Demy é uma das principais fontes de inspiração de La La Land. De qualquer forma, tudo leva a crer que irá vencer os principais prêmios do ano, muito devido ao saudosismo, ao espírito nostálgico-gourmet, tão em voga hoje em dia, mas que dificilmente deixará grandes marcas para o futuro (“O Artista” que o diga…).

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  2. La La Land me deixou muito surpresa. Apesar de pecar na originalidade, o desfecho do casal acabou me tirando o ar. Achei muito singelo e sensível a maneira como o “futuro alternativo” de Mia e Sebastian foi retratado por aquela última sequência de cenas. Há tempos não via algo do tipo no cinema.
    Também escrevi um pouco sobre o filme no meu blog. Se tiver interesse, depois dê uma passada lá pra conferir! 🙂 https://goo.gl/w2lyRH

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