Moonlight

moonlight1Moonlight – A Luz do Luar (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Seria a resposta perfeita do Oscar as criticas do #oscarsowhite. Seria, porque o fenômeno de La La Land, e seu resgate de um cinema tão Hollywood já se torna o grande favorito. Aqui temos exatamente o oposto, um filme extremamente indie, explorando a questão do afro-americano contemporâneo nos EUA, e ainda gay. Foi uma campanha tão grande pelo beijo gay na Globo, nos esquecemos que o Oscar é ainda mais conservador e nunca entregou prêmio de Melhor Filme a um trabalho com temática gay. Dito isso, seria a escolha perfeita, a quebra de vários tabus de uma única vez, num país que está resgatando sua cultura de protestos após a posse de Trump como presidente.

Deve perder o Oscar, mas ganhar o coração do público. Segundo filme do, até então, desconhecido Barry Jenkins (um dos roteiristas da série da HBO The Leftlovers), narra a história de um homem (Chiron), em Miami, em três momentos de sua vida: infância, adolescência e já adulto. Basta saber que a mãe é viciada, órfão de pai, e um garoto que economiza nas palavras. O traficante do bairro (Mahershala Ali) e sua namorada (Janelle Monáe) meio que o adotam, e a primeira parte da história circula nesse conflito entre a mãe desequilibrada sendo contrária a ideia do filho encontrando estabilidade familiar num casal de criminosos.

Na fase da adolescente surgem os problemas rotineiros da idade, dificuldades de relacionamento e de se impor em grupo, e a autodescoberta. No capítulo final, o reencontro com um dos seus mais próximos e marcantes amigos e a escolha profissional que dialoga com as experiências a qual Chiron teve contato por toda sua vida.

Jenkins consegue equilibrar sua narrativa entre a dureza e a delicadeza, e o faz de forma natural. Prefere sempre os diálogos aos arroubos do dramalhão, ainda que crie poderosos arcos dramáticos nas relações pessoais, e principalmente nos reflexos de Chiron a cada novo obstáculo/realidade de sua vida. O artifício da câmera na mão, algumas vezes acompanhando os personagens pelas costas, em outros em travellings rápidos focando no bate-rebate de diálogos (o oposto do plano contra-plano) garantem a sensação de um voyeurismo presente, de testemunhar a história. Efeito pulsante que ganha o contraponto da beleza de momentos como do pequeno Chiron aprendendo a nadar ou sentado na areia da praia, em momentos cruciais para suas emoções.

O diretor não nega as influências de filmes de Kar-Wai, Hou Hsiao-Hsien e Spike Lee, e esse casamento soa harmônico entre a violência e o amor, entre o áspero e charmoso. A sequencia no restaurante, tão Kar-Wai e tão quebradiço ao mesmo tempo, como se os diálogos fosse imperfeitos tal qual a vida real, quando não temos as falas decoradas e as palavras nem sempre chegam perfeitas em nosso lábios, mas elas nem são necessárias para se dizer tudo.

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