Mulher do Pai

Mulher do Pai (2016) 

O que há de melhor no filme da diretora Cristiane Oliveira, que foi exibido numa das mostras paralelas do Festival de Berlim, é permitir a mudança a seus personagens. Num canto asfaltado dos grandes centros, na divisa do Rio Grande do Sul com o Uruguai, temos a história da adolescente Malu (Maria Galant) e seu pai cego (Marat Descartes). Pelos olhos atentos e singelos da diretora, acompanhamos a mutação desses dois personagens quando a avó vem a falecer. Sem a matriarca, e epicentro da família, temos a jovem que precisa assumir afazeres da casa, enquanto vive a descoberta da sexualidade. E um homem que vê a necessidade de criar o diálogo que nunca manteve com a filha, nesse momento em que orientação e limites são assuntos complexos e passíveis de desgaste.

A sexualidade de pai e filha colocados à prova, o ciúmes pela aproximação de qualquer estranho a esse habitat, o futuro de baixas expectativas, está tudo ali naquela casa simples, naquela relação que parece ter se reconstruir, em que a guerra de egos pode tornar tudo uma panela de pressão. Em um dado momento, a filha narra uma sequencia do filme Transformers, que passava na tv, pode parecer um momento simples, mas é possível entender um pouco do aprendizado em ser pai e da filha meio adulta, meio criança.