Colo

Colo (2017 – POR) 

A cineasta Teresa Villaverde conjectura a crise econômica europeia sob os reflexos de uma família de classe média portuguesa, a via-crucis sem melodrama. É um filme angustiante pela naturalidade com que a situação financeira os assola lentamente, um passo a passo que os mergulha ainda mais na desestabilização emocional. O marido desempregado, a esposa quase em dupla jornada diária, e as contas não pagas só se acumulam. A filha adolescente parece indiferente, mais preocupada com seus pequenos dramas da sexualidade, da busca por liberdade, da amiga de gravidez precoce.

Longos silêncios, planos abertos (muitas vezes de outro prédio da vizinhança) que captam a desesperança ou a incomunicabilidade. O filme prefere a noite, mas também se aproveita do escuro no apartamento com a luz cortada, a alimentação racionada. Repito que a diretora evita o melodrama, ainda que reverbere com cenas fortes, de impacto duro e até comoventes. E quanto mais agravada a situação familiar, maior o descontrole emocional. O fim da estabilidade e da rotina, quebrados pela incerteza, ou pela certeza de que amanha será pior, e pior, e pior…

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