Doce País

Sweet Country (2017 – AUS) 

O australiano Warwick Thorton volta a tratar da discriminação e violência aos aborígenes numa espécie de western à australiana. Um filme muito duro, denúncia de um passado de culpa que paira sob a sociedade australiano. Curioso como o diretor cria tantos frames de beleza impar enquanto filma a aridez da vida subalterna dos aborígenes, feitos de escravos ou maltratados pelos endinheirados brancos que servem ao rei da Inglaterra.

A preocupação estética de Thorton revela proximidade com a beleza dos filmes de Terrence Malick. Mas, ele ousa algo mais. A primeira cena mostra uma panela com água fervendo, enquanto ouvimos o som de uma briga. Numa cena de violência a uma mulher, a imagem escurece lentamente, e você tem o som e a imagem se forma na cabeça do púlico. Roupas empoeiradas, essa beleza visual funde a paisagem a personagens e o contexto histórico. Outro ponto curioso é a utilização de pequenos frames (dois ou três segundos, com flashbacks ou cenas futuras) no meio de uma cena qualquer, revelando destino ou passado de um dos personagens em foco. É uma forma de responder questionamentos ou causar curiosidade.

Fora tudo isso, há a força da própria trama. Os abusos e injustiças, além da capacidade de desenvolver seus personagens dentro de seus costumes ou da aceitação de sua realidade, que pode estar ligada a seus princípios, ou apenas a sua raça com todas as limitações impostas pela sociedade.

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