Esplendor

Hikari / Radiance (2017 – JAP) 

Figura carimbada na competição de Cannes, a japonesa Naomi Kawase se destaca pela beleza com que filma a natureza, a luz do sol e a maneira como transborda emoções entre esse conjunto de imagens tão lindo que configura seus filmes. Por outro lado, o tempo vai passando, e seus filmes tem cada vez mais a tentativa de representar sentimentos. É quase uma tentativa de tornar tangível o que é abstrato. Seu melodrama, cada vez mais carregado, mistura essa beleza visual, com cenas que cruzam a linha da poesia para desembocar no piegas.

Com esse quadro faz todo o sentido que seu novo trabalho tenha um personagem cego, afinal, as emoções mais afloradas e o tato formam sentidos chave para quem perdeu a visão, o cinema de Kawase é uma espécie de representação desse estado de cegueira em que você poderia apenas senti-lo. No centro da trama, um ex-fotografo perdendo a visão e uma escritora de narrações para as versões dos filmes voltadas a deficientes visuais. Espero pro emoções diversas, por muito contato físico carinhoso, e trilha sonora melosa para dar aquela açucarada no que já estava doce. Kawase demonstra um cinema cansado, e preguiçoso em evoluir ou simplesmente se desafiar.

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