Custódia

Jusqu’a La guarde / Custody (2017 – FRA) 

Na primeira cena, a câmera dá uma sensação quase claustrofóbica de um tribunal discutindo a custódia dos filmes de um casal recém separado. O plano contra-plano entre juíza, advogados e os pais, entre acusações, alegações e até a leitura do depoimento do filho, de que não quer ver o pai, dão ainda mais peso a essa claustrofobia e a decisão da justiça.

A violência doméstica é muito mais comum do que queremos acreditar, e o filme do estreante Xavier Legrand nos faz lembrar disso por noventa minutos. O roteiro molda o vilanismo do pai (Denis Ménochet) ao seu bel-prazer, de forma talvez exagerada, mas é crível a explosão de alguém que não sabe controlar suas emoções numa situação que foge do seu controle (o divórcio contra sua vontade). A justiça impõe obrigações que quase todos não querem enfrentar, e o filme se encaminha para os vinte minutos finais mais tensos e desesperadores de um drama familiar. Quase um filme de terror.


Festival: Veneza

Mostra: Competição Principal

Prêmios: Melhor Diretor

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