Top 10 – 2017 – Cinema Nacional

Vamos dar uma mudada nesse post anual, que já virou tradição em abrir o ano novo. Tanto se reclama da distribuição no cinema nacional, o espaço limitado que achata a janela de lançamentos e muitos dos melhores filmes acabam preteridos ao atraso, muitas vezes passando seu momento, e em outros casos até deixando de ser lançados. Dessa forma, a partir de hoje o top 5 se torna top 10 e segue o mesmo critério do post de amanha, dos melhores do ano (vistos em 2017 e produzidos desde 2015). Os filmes não precisando ter estreia no circuito, incluindo assim o mundo dos festivais no top e ajudando na divulgação para acelerar o processo de lançamento dos mesmos.

Acredito também que o mercado nacional deveria abandonar o ano-calendário (Jan-Dez) e escolher seus melhores do ano tendo o Festival do Rio como o início de um ciclo, afinal ali ocorrem as primeiras exibições mesmo e quase sempre os “principais filmes”, que vão tentar vaga ao Oscar (por exemplo), acabam chegando aos cinemas em Agosto e Setembro, quase no final desse citado ciclo.

 

Falando dos filmes, não foi um ano de sucesso retumbante no exterior, diferente de 2016. Por mais que tenha havido uma enxurrada de títulos no Festival de Berlim, e destaques em mostras paralelas, apenas um foi amplamente reconhecido mundialmente. Trata-se de As Boas Maneiras, da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, que levaram o prêmio do júri em Locarno. Numa fantasia de horror, os dois diretores (que seguem criando sólida e autoral filmografia) inserem o fantástico na metrópole, e fogem de todos os padrões ao retratar duas formas de amor, de maneira intensa e carinhosa, e ainda resgatando uma narrativa que flerta com o popular.

Falando em cinema popular, Bingo – O Rei das Manhãs foi o melhor destaque. Estreia na direção de Daniel Rezende, a história de um dos personagens que interpretaram o Bozo, no auge dos anos oitenta, é um raio-x da década dos excessos, além de um interessante trabalho sobre a vaidade e a obrigatoriedade de viver a fama e ser low-profile.

O cinema de fluxos de Marilia Rocha em A Cidade Onde Envelheço, ou de memórias e poesias no radical Lamparina da Aurora, de Frederico Machado, ou o já conhecido experimentalismo de Julio Bressane, em Beduino, são filmes que dizem muito sobre esse cinema nacional feito para um público pequeno, mas ávido pela quebra de conceitos e por propostas mais ousadas.

E o favorito do ano é mesmo Arábia (ainda inédito), da dupla Affonso Uchoa e João Dumans, que traz Minas Gerais às telonas, através dos diários de um operário acidentado, olhamos com uma lupa a trajetória de um em tantos brasileiros que pula de galho em galho, buscando seu lugar ao sol. Mira na classe média, mas só luta mesmo por sua sobrevivência, tal qual nosso cinema.

  1. Arábia, de Affonso Uchoa e João Dumans
  2. As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra
  3. Bingo – O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende
  4. A Cidade Onde Envelheço, de Marilia Rocha
  5. Beduino, de Julio Bressane
  6. Lamparina da Aurora, de Frederico Machado
  7. As Duas Irenes, de Fabio Meira
  8. Mulher do Pai, de Cristiane Oliveira
  9. No Intenso Agora, de Walter Salles
  10. Comeback, de Erico Rassi

E para não falaremo que o circuito foi abandonado, Martirio seria o filme favorito do circuito nacional, lembrando que Arabia e As Boas maneiras devem ter estreia em 2018.


Top 10 – 2017 no Letterboxd

Top 5 – 2016 – Cinema Nacional

Top 5 – 2015 – Cinema Nacional

Top 5 – 2014 – Cinema Nacional

Top 5 – 2013 – Cinema Nacional

 

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