Top 25 – 2017

Numa breve reflexão sobre o que fica de 2017 para a história do cinema, saltam aos olhos polêmicas e uma luta por espaço dos considerados minorias dentro dessa indústria. Foi um ano em que o abuso sexual expões grandes nomes, que as mulheres ganharam mais espaço (#52filmsbywomen), que se clamou por outras etnias em Hollywood. Por outro lado, foi o ano em que as intolerâncias e o novo policamente correto ganharam voz, deixando de lado o plural em prol dessas lutas por espaço, causando assim exagero absurdo. Dessa forma, uma mulher não pode mais fazer um filme sobre negros, um branco não pode fazer um filme sobre mulheres, muitos querem o singular ao invés da pluralidade, e brigam por tudo, quando deveriam estar focados na causa justa.

Mas, foi um grande ano no cinema, e também um ano de quebrar barreiras. As séries de tv ganham um espaço tão grande, que algumas já são exibidas em festivais de cinema, tem um diretor único e uma linguagem cinematográfica mais forte que muito filme por ai. Esses casos, em que o conceito de programa de tv é quebrado, começam a ser considerados como filmes também. Foi o ano em que a popularização dos Streamings permitiu novas formas de lançamento e distribuição, democratizando um pouco a forma de comunicação do cinema com quem não está nos grandes centros.

Sem mais delongas, vamos fazer aquele balanço anual, dos melhores do ano, com destaque para o top 10. A regra é simples, filmes vistos em 2017, que tenham sido produzidos desde 2015.

  1. Twin Peaks – The Return, de David Lynch
  2. Visages, Villages, de Agnes Varda e JR
  3. Bom Comportamento, de Ben e Josh Safdie
  4. Top of the Lake – China Girl, de Jane Campion
  5. Moonlight – Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins
  6. Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan
  7. Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh
  8. Personal Shopper, de Olivier Assayas
  9. Dunkirk, de Christopher Nolan
  10. Me Chame pelo Seu Nome, de Luca Guadagnano
  11. Apesar da Noite, de Philippe Grandrieux
  12. Uma Mulher Fantástica, de Sebastian Lelio
  13. Hermia & Helena, de Matías Piñeiro
  14. A Mulher que Se Foi, de Lav Diaz
  15. Doce País, de Warwick Thorton
  16. Exercícios de Memória, de Paz Encina
  17. A Trama, de Laurent Cantet
  18. Em Ritmo de Fuga, de
  19. Colo, de Teresa Villaverde
  20. Logan, de James Mangold
  21. Corra!, de Jordan Peele
  22. Verão 1993, de Carla Simón
  23. Projeto Flórida, de Sean Baker
  24. Amante e um dia, de Philippe Garrel
  25. Verão Danado, de Pedro Cabeleira

 

O público se rendeu a delicadeza do despertar para a homossexualidade nesse romance quase idílico. Me Chame pelo Seu Nome é o tipo de romance dos sonhos, que quase todos gostariam de viver algo parecido na vida. O italiano Luca Guadagnano encanta pela narrativa solar, e pela sinceridade e espontaneidade visceral de seus personagens. A confusão na entrega do Oscar foi grande, mas é sempre bom relembrar que Moonlight foi o escolhido. O primeiro filme com temática gay a ser premiado, o estreante Benny Jenkins vai buscar em Kar-Wai inspiração para retratar a vida de um negro pobre, passando por três fases chave de sua vida.

Numa ano em que um cinema mais jovial desperta, dois filmes com estruturas velhas conhecidas também se destacam. Em Durkirk, o filme de guerra ganha três linhas do tempo e a completa sensação de imersão nos horrores do front. Christopher Nolan conquistou alguns de seus detratores, e cativou ainda mais seus fãs. Já Manchester à Beira-Mar é o novo melodrama doloroso de Kenneth Lonergan, a incurável dor da perda quem nem nos deixa chorar, de tão dolorido.

Olivier Assayas entre o sobrenatural e a modernidade dos smartphones. Nenhum filme conseguiu chegar perto da tensão através de mensagens de texto, e ainda explorar uma personagem perdida entre sua vida profissional e a dolorosa perda do irmão.

A era Trump mal começou, mas já temos um grande filme para representa-la. Três Anuncios para um Crime tem a intolerância rondando uma série de personagens e suas feridas na América profunda. Preconceitos, arrogância, e a luta pelo que se acredita, está tudo lá no filme dirigido por Martin McDonagh.

Os irmãos Safdie chegaram de mansinho, mas dessa vez injetaram ânimo até na competição de Cannes. Bom Comportamento tem Robert Pattinson numa interpretação alucinante, de um personagem com ganas de encontrar os atalhos que o levem até uma vida mais confortável ou de salvar o irmão da enrascada que ele mesmo colocou.

Entre os dez favoritos do ano, apenas dois dirigidos por mulheres, mas esses estão lá no topo. A série de tv Top of Lake: Chinal Girl tem Elizabeth Moss nos principais temas femininos da atualidade: sexualidade, igualdade profissional, reconhecimento, liberdade. A diretora Jane Campion volta a esse universo com a língua afiada e a capacidade de fazer tensão saindo da zona de conforto do cinema. Já o encantador Visages, Villages é o encontro de Agnes Varda e o fotógrafo JR por uma França longe dos holofotes, enquanto apresenta um pequeno choque de gerações entre a dupla.

E o acontecimento audiovisual do ano foi realmente Twin Peaks: The Return. Em quase 18 horas, David Lynch criou novas linguagem, estabeleceu infinitas possibilidades e dialogou com sua filmografia como poucas vezes se viu na história do cinema. Twin Peaks enlouqueceu fãs e nos deixou a maior obra-prima de 2017, o aterrorizante episódio 8, em que o mal é sentido, é onipresente, numa narrativa quase sem falas, mas repleta de sensações.


Aos mais curiosos, o link abaixo aumenta um pouco essa lista considerando os 100 favoritos filmes do ano. Principalmente aos que buscam mais novidades, os menos conhecidos.

Top 100 – 2017


Top 25 – 2016

Top 25 – 2015

Top 10 – 2014

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Um comentário sobre “Top 25 – 2017

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