Eu, Tonya

I, Tonya (2017 – EUA) 

A opção da narrativa, exclusivamente, no freak show do relacionamento entre esposa (Margot Robbie), mãe (Allison Janney) e marido (Sebastian Stan), diz muito sobre o filme e suas escolhas. Narrado como num documentário falso, com depoimentos que engatam em flashbacks, a cinebiografia das mais controversas patinadoras olimpíacas é tão obtusa quanto a vida de seus retratados.

O filme dirigido por Craig Gillespeie não consegue dar dimensão exata do tamanha de Tonya Harding para o esporte, por mais que os fatos estejam lá, jogados ao léu. Foco no casos de policia (alusão até a O. J. Simpson está explícita no filme), seja na mãe estranha ou no casamento violento. Desse desequilíbrio surgia uma esportista sempre arredia, pouco profissional, e que entra para a história pelas manchas graves de causou no fair play. Como cinema, apenas um show de personagens histéricos e conturbados, e com boas interpretações que fazem o filme parte integrante da corrida ao Oscar deste ano.

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