Wendy e Lucy

Wendy & Lucy (2008 – EUA) 

Tão bonito quando o cinema faz do pouco, muito. É o caso do filme que solidificou a carreira de Kelly Reichardt como um expoente do cinema indie americano, mas com assinatura própria, distante da pobreza pasteurizada da maioria dos filhos de Sundance. Do pouco, muito, porque a história é tão simples, quanto real e dolorida. Wendy (Michelle Williams) conseguiu um emprego no Alasca, e tenta viajar até lá, mas o dinheiro está curto e as dificuldades só crescem.

Reichardt filma a alma dessa jovem em dificuldade. Faminta, desesperada, sem poder contar com ninguém. Não espere um melodrama, sua câmera é crua, dolorosa, e variando entre plano fechados ou bem distantes, formando assim um ritmo narrativo que permite ao público respirar, e colocar sua protagonista ora como mais uma no mundo, ora como a que passa as mazelas da humanidade e parece não ter saída. Afinal, estamos na crise que assolava os EUA economicamente, e sua situação representa a de tantos outros jovens, sem esperança, fruto de um sistema em colapso. Seu drama abre espaço para outros dramas dos personagens que ela encontra pelo caminho, enquanto tenta reencontrar sua fiel companheira, a cadela Lucy.


Festival: Cannes 2008

Mostra: Un Certain Regard

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