As Boas Maneiras

As Boas Maneiras (2017) 

A dupla Juliana Rojas e Marco Dutra ataca novamente, entre o horror e a critica social. Eles são uma espécie de alívio, numa proposta de cinema bem diferente do que a maioria da produção nacional recente. Dessa vez, num tom bem mais leve do que em Trabalhar Cansa, e num alcance bem maior de público.

No primeiro ato, uma interiorana grávida solitária (Marjorie Estiano estupenda) quase confinada em seu apartamento na capital de São Paulo contrata uma empregada (Isabel Zuaa) e a relação profissional se estabelece tambpem no âmbito pessoal. É curioso como a dupla de diretores filma o clima claustrofóbico dessa mulher que nunca sai de casa, as dores do passado recente que a levaram ao distanciamento da policia e a forma como se desenvolve a relação patroa-empregada.

O quê de sobrenatural está lá, mas é bem mais nítido no segundo ato, quando o garoto já cresceu um pouco e a relação mãe-filho pede uma superproteção quase incompreensível à sociedade. É nesse ponto que Rojas e Dutra aplicam sua critica social, a metrópole que guarda ricos e pobres tão próximos e como a cidade se constrói a partir desse distanciamento.

Essa segunda parte é mais alongada, e não tão forte quanto o início. A dupla flerta com o conto de fadas, de lua cheia e lobisomem, tenta entender a incompreensão e encontra nos garotos bem menos espontâneas do que aquela começão que Estiano e Zuaa desenvolve em seu ninho de amor chocante e carinhoso.


Festival: Locarno 2017

Prêmio: Prêmio do Júri

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