Desobediência

Disobedience (2017 – RU) 

Sebastián Lelio segue firme clamando pela liberdade em sua filmografia. Pela primeira vez filmando no exterior, o cineasta chileno opta, dessa vez, por uma abordagem mais contida, ainda que sse mantenha entre temas e personagens que persistem como tabus da sociedade moderna.

Começa apresentando Ronit (Rachel Weisz), fotógrafa nos EUA, e que numa rápida montagem o filme deixa claro que preza por sua liberdade. Se sente obriga a voltar à Inglaterra e enfrentar o luto pela morte de seu pai, um importante líder religioso de uma pequena e ortodoxa comunidade judaica. Lelio é muito cuidadoso com as informações ao público, a verdade da relação de Ronit com seu pai e aquela comunidade só vai clareando com o passr do filme,  o reencontro com parentes e amigos é doloroso e cheio de dedos, ou até mesmo de preconceito, uma persona non grata.

A fotografia acizentada, aquela imagem com aspecto de “lavada”, Lelio tenta fazer com que tudo ao redor represente o vulcão de emoções veladas. Ronit se reencontra com Enit (Rachel McAdams) e todo o desprezo dessa pequena sociedade faz sentido quando a chama daquele relacionamento reaparece. Amor, desejo, e também hipocrisia, dogmas religiosos, aversão, o mesmo passado vem à tona. E Lelio mantém a imagem em planos fechados nos rostos das duas atrizes, o que era luto se torna um misto de infelicidade e esperança. A trama segue seus caminhos, sempre contida, ainda que guarde momentos bem sentimentais nos minutos finais (com direito a discurso clichê e tudo mais), ainda que à moda antiga, o chileno tenha coragem de realizar um filme feminino, mergulhado numa sociedade tão machista e capte essa odiosidade geral exposta acima da liberdade.

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