Tesnota

Tesnota / Closeness (2017 – RUS) 

Ao norte do Cáucaso, quase divisa com a Geórgia, se situa a cidade de Nalchik na República de Kabardia-Balkaria. Que assim como as famosas Chechenia e Osétia do Norte, ou até mesmo a já independente Ucrânia, segue travando conflitos violentos com a toda poderosa Rússia. É dai a inspiração do estreante Kantemir Balagov.

A filha ajuda o pai na oficina mecânica, à noite o jantar comemorativo para celebrar o noivado do filho. O primeiro tema são as relações familiares, Balagov discute a independência da mulher, através das cobranças e imposições familiares: emprego masculino, casamento, seguir as convenções sociais. De outro lado, um sequestro expõe o seio familiar ao desespero de perder tudo que tem em prol da liberdade do filho. E como a sociedade reage a uma crise como essa. Por fim, a questão militar, os rebeldes da região ocultos no dia-a-dia, tesnota significa proximidade, e coloca tudo tão de seus personagens, enquanto a câmera busca inspiração nos Dardenne, em planos-fechados, e uma vivacidade de quem inspira cinema como parece ser o início de Balagov. Interessante, por mais que seja difícil manter o ritmo narrativo o filme todo.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Un Certain Regard

Prêmio: Fipresci

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O Animal Cordial

O Animal Cordial (2017) 

Sem medo de polêmica, chega aos cinemas a estréia na direção de Gabriela Amaral Almeida. Entre a critica social e o banho de sangue, a cineasta transforma o assalto a um restaurante, num habitar claustrofóbico de sobrevivência animalesca. Seguindo numa linha de cinema que Juliana Rojas e Marco Dutra tem se destacado, a diretora vai além, ao ser ousada e provocativa (herança de sua filmografia slasher), ainda que o roteiro possa seguir com caminhos questionáveis.

A força do poder, o instinto primitivo de sobrevivência e de dominação, a loucura ditatorial ao assumir tal posição. Está tudo ali, permeando esse ambiente perturbador de um assalto mal-sucedido. O filme traz a disputa de classes, o preconceito de gênero, o poder do sexo, e o sadismo oferecido pelo poder a níveis estratosféricos. A razão é quase posta de lado pela explosão de sentimentos, quando o pequeno empresário (Murilo Benício) se sente dono de si. Não deixa de ser uma alegoria, tratada em tons de tintas pesadas e escuras, em cenas violentas e quase anárquicas, e que talvez pequem pela necessidade de chocar ou pela total escolha pela irracionalidade que a dualidade do título não é representada.