Deslembro

Deslembro (2018) 

Não é um filme fácil de catalogar porque, como na vida, muito de nossa formação vem das nossas influências (culturais, sociais e outras), e estas simplesmente vão e vem, sem um plano perfeito e modelado a cada um. Mas, pode-se dizer que o filme é um coming-of-age em pleno período do fim da ditadura brasileira. Muito autobiográfico, a diretora Flávia Castro coloca no centro a jovem Joana (interpretada com naturalidade por Jeanne Boudier) para viver a garota que volta com sua família de Paris, ao Rio de Janeiro, durante a anistia em 1979.

Com uma narrativa fluida e tenra, sentimos na pele os pequenos dramas da adaptação, a sensação de perdimento ou o deslembrar de momentos pensos. E também, o primeiro amor e a descoberta do sexo, a proximidade com literatura e música, a redescoberta da família (principalmente a avó) e as histórias do falecido pai e dos fatos políticos que afastaram a família do Brasil. Num Brasil de tanta interpretação equivocadas de fatos e espancamento das notícias, a cineasta injeta um pouco de brilho no florescer à vida entre descobertas e decepções com um país e um povo tão tropical.


Festival: Veneza 2018

Mostra: Horizonte

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2 comentários sobre “Deslembro

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