Rojo (2018 – ARG) 

Benjamin Naishtat surge como um cinema bem interessante dentro da cena argentina, por mais que seus dois trabalhos anteriores empolgavam mais na proposta do que no resultado final. Bem Perto de Buenos Aires e O Movimento, flertava com a atmosfera de terror ou do western, sempre dentro de uma marca bastante autoral. Segue com esse cinema diferente aqui, dessa vez em ritmo de thriller, nos oferece duas primeiras cenas curiosas. Na primeira, a porta de um casa e um entra e sai de vizinhos, móveis carregados, algo muito estranho. Na seguinte, uma briga, inusitada, num restaurante.

Esses dois momentos quase parecem não convergir com o restante da história, em grande parte da narrativa, até finalmente serem reincorparadas. Até lá estamos seguindo a rotina de um advogado de uma pequena cidade argentina, já sabendo o que se passou e o que ele carrega de segredo. Naishtat preocupa-se muito com a atmosfera de mistério quando um investigador chega a cidade para descobrir o paradeiro do outro envolvido na briga no restaurante.

Aonde toda essa atmosfera vai nos levar que é bastante questionável, a estranheza do embate entre investigador e advogado nos leva a uma festa ou ao deserto, em reações descontrolados na praia. Mas, Naishtat não parece saber, tão bem, o que fazer com tal atmosfera. A parte final não quer ser onírica, mas te um quê, e o resultado final é um avanço em sua carreira.


Festival: San Sebastián 2018

Mostra: Competição

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