Verão

Leto / Summer (2018 – RUS) 

O cineasta Kirill Serebrennikov é mais um cineasta pelo mundo, em prisão domiciliar, por razões políticas. A liberdade de expressão não é uma regra em muitos lugares do mundo. Ainda assim, seu estado não evitou que ele pudesse lançar seu novo trabalho, sobre uma figura icônica da União Soviética, talvez o mais importante cantor de rock soviético.

Mas não se trata de uma simples cinebiografia, Serebrennikov mergulha na cena punk rock do início dos anos 80, das influencias pelos LP’s contrabandeados de David Bowie, Talking Heads, ou outros nomes que faziam sucesso no Ocidente. Filmado em preto e branco, o filme tem muito da atmosfera, da forma com que os aspirantes a músicos compunham, da ingenuidade de suas letras, ou da maneira que enfrentavam a censura e outras limitações impostas pelo regime à época.

O filme ainda inova em frescor ao transformar algumas dessas canções em espécies de delírios em forma de videoclipe, outra maneira de contextualizar personagens, influencias e modernidade, enquanto o roteiro trata do tímido e enigmático triângulo amoroso entre o futuro líder da banda Kino, Viktor Tsoi, e a esposa de seu amigo e incentivador. É curioso notar as semelhanças entre a cena rock soviética e de Brasília, mas ainda carecemos de um filme que seja capaz de captar a essência da rebeldia, ao invés de tentar pasteurizar uma história com personagens conhecidos.


Festival: Cannes 2018

Mostra: Competição principal

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