Lazzaro Felice

Lazzaro Felice (2018 – ITA) 

Num claro tom de fábula, o novo filme de Alice Rohrwacher faz um paralelo da miséria entre passado e presente na Itália. Na primeira parte da trama, a vilã megera é uma Condessa que trata seus empregados rurais como escravos, enquanto vive num castelo em decadência. Lazzaro (Adriano Tardiolo) é o garoto ingênuo e de bom coração, que aceita tudo com sorriso no rosto, e acaba fazendo amizade com o filho, revoltado, da condensa.

Da pobreza do campo o filme pula algumas décadas, nosso dócil Lazzaro ressuscita após um acidente, e vai parar na região metropolitana, entre mendigos que vivem de roubos e pequenos golpes. A elipse faz correspondência com alguns dos personagens, enquanto Rohrwacher se equilibra entre um cinema naturalista e a necessidade de esfregar no público a máxima de que italianos pobres continuarão pobres, enquanto a decadência absorvem a burguesia falida. A ingenuidade de nosso Lazzaro ultrapassa décadas, e a visão pessimista de Rohrwacher se mistura com essa doçura, meio Poliana, e esse tom de fábula que quase embeleza a pobreza da ruas.


Festival: Cannes 2018

Mostra: Competição Principal

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