A Febre

Publicado: dezembro 7, 2020 em Cinema
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A Febre (2019)

Interessante como há jeitos, e jeitos, de se fazer as coisas, e no cinema não é diferente. A fórmula latina do slow movie focado nas aguras de um único personagem já cansou o pouco, mas Maya Da-Rin rapidamente me fez esquecer desse possível desgaste da fórmula até porque a fórmula representa não apenas esse personagem, ele está ali identificando todos os índios que migraram para a cidade e vivem nesse processo de “adaptação”. Então o filme o segue no ônibus, entre os containeres em seu emprego no porto de Manaus, mas também guarda os momentos em família, em sua casa, quando ele fala sua própria língua, conta histórias, pode se aproximar, mesmo que um pouquinho, do que ele é, era, ou gostaria de ser.

Pode-se encontrar traços de Apichatpong aqui e ali, mas Da-Rin não está imitando ninguém, seu filme é cativante exatamente por incluir a questão indígena no aspecto do drama social, e nisso a cena final é crucial e eleva o todo, talvez fosse o único caminho do possível depois da trajetória que a narrativa constrói. O índio é quieto, quase todas as interações são no vestiário, na troca com o outro guarda, e como incomoda aquele personagem, de piadinhas hostis, de preconceito vil, aquele que está enraizado em todos nós, de diminuir quem já se coloca num status inferior por definição

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