France

Publicado: outubro 19, 2021 em Cinema
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France (2021 – FRA)

O olhar do novo filme de Bruno Dumont se dá ao jornalismo, talvez o mais narrativa de seus últimos trabalhos se faz em tom de sátira provocativa. Sua nova protagonista feminina é antagônica a Joana D’arc de 2 de seus filmes mais recentes. Ela (Lea Seydoux) é uma apresentadora de um programa jornalístico de muito sucesso, uma mulher forte, e também frágil. Poderosa, determinada, valente, inescrupulosa, sem deixar de ser infeliz, de viver uma relação complicada com o marido e distante do filho, mas principalmente infeliz, dona de um vazio que a fama e a ambição por mais e mais sucesso não preenchem.

A ironia, o cinismo estão presentes em cada um dos planos que forma o filme de Dumont, e é sim interessante como ele conduz essa narrativa, da cena inicial com piadas de cunho sexual nua coletiva do presidente Macron, passando pelos desajeitados encontros com a família do motoboy que ela atropelou, até as tintas finais de sua via-crucis de altos e baixos em todas as esferas.

O que Dumont não consegue é controlar a medida de sua ferocidade, ele precisa realmente transformar sua jornalista pedante e egocêntrica numa sobrevivente de tragédias e erros, como se essa figura fosse incapaz de ter variações, como se o ser humano não tivesse realmente suas imperfeições e por isso precisa ser massacrado por ser tão vil.

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