As Bruxas do Oriente

Publicado: outubro 21, 2021 em Cinema, Mostra SP
Tags:,

Les Sorcières de l’Orient  / The Witches of the Orient (2021 – FRA)

Julien Faraut não veio, exatamente, revolucionar os documentários esportivos porque não imagino que ele vá ter um grau de alcance para isso. O público dos documentários mais vistos quer mesmo relembrar ou conhecer histórias, descobrir detalhes de bastidores, os formatos bem padrões de entrevistas e imagens de arquivo com trilha sonora emocionante atendem. Talvez por isso são poucos exemplares de filmes de esportes que são, realmente, bons filmes.

Em seu terceiro trabalho do tipo, o cineasta francês veio mesmo incorporar o cinema aos esportes sem os excessos costumeiros. Sua narrativa não deixa de lado as necessidades básicas citadas, mas incorpora muito mais, desde a cultura de narrativa cinematográfica mais elaborada, as escolhas de trilha sonora, e principalmente como aproveitar ao máximo o material e seus personagens. Aqui, ele não chega ao resultado que tinha obtido com o doc sobre John McEnroe, mas segue em sua linha autoral.

Em foco o grupo de japonesas que nos anos 50 e 60 trabalhavam numa fábrica pela manha e treinavam vôlei à tarde e à noite, em jornadas exaustivas e chegaram a vencer as Olimpíadas de Toquio em 1964. Algumas delas se reúnem para um almoço, para relembrar aquela época, aos 70 anos contam detalhes sobre os apelidos, os treinamentos, o orgulho pelo passado e as dificuldades.

As Bruxas do Oriente ficaram conhecidas pela impressionante marca de vitórias consecutivas, pela magia de não deixar a bola cair em seu lado da quadra, e também pelas condições e exigências desumanas de seu treinador. O filme mescla imagens de arquivo, o papo desse almoço e animações que complementam o que  não se tem de imagens da época (além de dar um ar de heroínas e mais moderno para a narrativa). Faraut prefere tentar não interferir, deixa que os méritos e os horrores surjam em igual medida. Os traumas e fascínio pelo treinador ditador que chegava a machucá-las, mas que também causava paixões, o custo pela busca da perfeição e pelos resultados são temas mais importantes do que detalhes táticos, por exemplo. A trajetória está mais ou menos contada, Faraut não está interessado nisso, ele quer compreender o que as unia, a cultura esportiva, um olhar mais para a equipe ainda que parta dos depoimentos individuais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s