A Filha Perdida

Publicado: janeiro 4, 2022 em Cinema
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The Lost Daughter (2021 – EUA)

O tema da maternidade é táo complexo e único que, provavelmente, será uma fonte inesgotável para o cinema. Afinal, colocar alguém no mundo, ser responsável por essa pessoa, carregar em seu corpo por tantos meses com todas as modificações que seu próprio corpo sofrerá no processo, deve ser, tem que ser, uma relação única. A partir do livro de Elena Errante, a atriz Maggie Gyllenhaal faz sua estréia na direção mirano nas dádivas e complexidades da maternidade.

Olivia Colman é a protagonista que passa férias na Grécia e debaixo do guarda-sol ao lado se encontra uma família espalhafatosa, mas os pontos de aproximação estão principalmente uma grávida com mais de quarenta anos, e uma jovem mãe e sua filha. A narrativa vai buscar em flashback’s maneiras de contar o passado de nossa protagonista, sua relação com maternidade e profissão, e assim formar um pouco dessa personalidade agridoce, as vezes simpática, as vezes áspera.

Gosto da sensação de estranheza e das boas doses do inesperado, a construção foge da personagem simples e direta, ela é complexa, difícil, tão única que tem comportamentos mais que questionáveis, por outro lado demonstra cumplicidade e intimidadade, mesmo com quem ela provoca. É dessa dualidade que nasce o tímido clima de suspense, e que o conhecimento do passado dessa mulher enriquecem a completar a pintura desse quadro instigante.

Por outro lado, os flashbacks tão essenciais estão alguns degraus aquém do restante do material, como se a inspiração estivesse apenas no tempo presente. Essa irregularidade não faz bem ao filme como um todo, mas claramente Maggie Gyllenhaal não estava interessada num filme simples, em contar uma história. Talvez o melhor do filme nem esteja nele, e sim no que ele pode provocar em você se enxergar a maternidade como essa fase complexa, tão prazerosa quanto difícil, uma fase que veio para ficar, e que não será passageira. E, principalmente, que cada um reage a sua maneira e portanto se prova que há infinitas maneiras de se entregar amor.

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